06/03/2017
Comprovante de Protocolo
SISTEMA
CÂMARA MUNICIPAL DE JUÍNA - MT
DE APOIO AO PROCESSO LEGISLATIVO
COMPROVANTE DE PROTOCOLO
DA
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Autenticação: 12017/03/06140
Número / Ano
140 / 2017
Data / Horário
Ementa
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OUTRAS PROVIDÊNCIAS,
06/03/2017 - 09:38:23
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DISPÕE SOBRE AUTORIZAÇÃO PARA FIRMAR TERMO DE
FOMENTO OU COLABORAÇÃO PARA TRANSFERIR RECURSOS
FINANCEIROS DO ICMS-ECOLÓGICO PARA A ENTIDADE
LEGALMENTE CONSTITUÍDA QUE MENCIONA, COM O FIM DA
EXECUÇÃO DO PROGRAMA SÓCIO AMBIENTAL E ECONOMIA DA
ETNIA CINTA LARGA, NO EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2017 E DÁ
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Altir Antônio Peruzzo
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PLO Projeto de Lei Ordinária Nº 13/20
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Comprovante emitido por:
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RESULTADOS DAS VOTAÇÕES
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Abstenções:
PRIMEIRA DISCUSSÃO E VOTAÇÃO
( ) Aprovado por unanimidade
( ) Aprovado por X
SEGUNDA DISCUSSÃO E VOTAÇÃO
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(. ) Aprovado por unanimidade
X votos
( ) Rejeitado por X. votos
Abstenções:
votos () Aprovado por
votos
Assinatura do(a) presidente
Assinatura do(a) presidente
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MENSAGEM N.º 017/2017 SÊ
EXMO. SR. PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE
JUÍNA-MT E ILUSTRES PARES:
Submeto à esta Casa de Legiferante para apreciação e votação o presente
Projeto de Lei, que dispõe sobre autorização para firmar Termo de Fomento ou
Colaboração para transferir recursos financeiros do ICMS-Ecológico para a entidade
legalmente constituída que menciona, com o fim da execução do Programa Sócio —
Ambiental e Econômica da Etnia Cinta Larga, no Exercício Financeiro de 2017, e dá
outras providências.
Senhor Presidente, o presente Projeto de Lei visa, entre outras coisas, com os
recursos financeiros do ICMS-Ecológico preservar e assistir as famílias indígenas do
nosso Município, mediante a execução do Programa citado acima, que tem como
objetivos específicos: proteger a biodiversidade ecológica; preservar e desenvolver
de forma sustentável os recursos naturais existentes; zelar pelo bem-estar da etnia
em seu habitat natural, desenvolver atividades periódicas de vigilância e fiscalização
conjunta e integrada no interior e limites territoriais; implementar ações ambientais
que garantam a sustentabilidade sócio- econômica e cultural; implantar atividades
produtivas e sustentáveis que garantam a segurança alimentar, e, valorizar e
respeitar a cultura por meio do desenvolvimento dos rituais tradicionais.
Em razão do acima exposto, novamente espero e conto com a compreensão e
colaboração de todos os Nobres Membros do Legislativo Municipal no sentido da
aprovação do presente Projeto de Lei como forma de contribuição no desiderato da
busca de um Município mais justo e eficiente para todos os seus habitantes,
inclusive, dos Povos Indígenas radicados em nosso Município.
Sem mais para o momento, s o com protestos de consideração,
estima e apreço.
Juína-MT, 06 de março de 201 7.
F LUIS
Prefeito Muni
Excelentíssimo Senhor, : a
SANDRO CANDIDO DA SILVA;-
MD. Presidente;
Câmara Municipal de Vereadores;
Juína - Mato Grosso.
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Travessa Emmanuel, n.º 33N, Centro, Juína-MT - CEP.: 78320-000 - Cx. Postal 01
CNPJIME n.º 15.359.201/0001-57 Fone: (05) 3505-8500
Site : www. juina.migov.br E-mail: prefeituraQiuina.mt gov:br
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PROJETO DE LEIN.º /3/2017 Es
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Dispõe sobre autorização para firmar Termo de
Fomento ou Colaboração para transferir
recursos financeiros do ICMS-Ecológico para a
entidade legalmente constituída que menciona,
com o fim da execução do Programa Sócio —
Ambiental e Econômica da Etnia Cinta Larga,
no Exercício Financeiro de 2017, e dá outras
providências.
O PREFEITO MUNICIPAL DE JUÍNA-MT, Faço saber que, a Câmara
Municipal decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1.º Fica o Poder Executivo Municipal autorizado a celebrar Termo de
Fomento ou Colaboração para transferir recursos financeiros do ICMS-Ecológico
para a Associação do Povo Indígena Cinta Larga - Eterepuya, Pessoa Jurídica de
Direito Privado, sem fins lucrativos, inscrita no CNPJ/MF sob o n.º 08.916.233/0001-
40, com sede na OTR Aldeia Rio Seco, s/n.º, Posto Indígena Serra Morena, zona
rural, no Município de Juína-MT.
Art. 2.º O repasse financeiro será efetuado em 02 (duas) parcelas, sendo a 1.2
(primeira), no valor de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais), com vencimento no
mês de maio de 2017; e, a 2.2 (segunda), no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais),
com vencimento no mês de agosto de 2017, perfazendo o valor total de R$
75.000,00 (setenta e cinco mil reais), conforme Programa Sócio — Ambiental e
Econômica da Etnia Cinta Larga, cuja cópia segue em anexo a presente Lei, dessa
passando a ser parte integrante.
Art. 3.º A associação beneficiária para firmar o Termo de Fomento ou
Colaboração deverá estar previamente credenciada pelo órgão gestor do repasse,
exceto se houver impossibilidade na efetivação do credenciamento.
Art. 4.º Para a celebração, execução e fiscalização do Termo de Fomento ou
Colaboração, o Poder Executivo Municipal deverá observar todas as disposições da
Lei Federal n.º 13.019, de 31 de julho 2014, com as modificações introduzidas pela
Lei Federal n.º 13.204, de 14 de dezembro de 2015, sob pena de responsabilidade.
caput e inciso |, da Lei Federal n.º 13. 019/2014.
Travessa Emmanuel, n.º 33N, Centro, Juína-MT - CEP.: 78320-000 - Cx. Postal 01
CNPJIMF nº 15.559.20/0001-57 Fone: (00) S900-FSUU
Site: yww.junamtgovbr E-mail: prefeituraQjuina.mtgov.br
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Art. 5.º As despesas oriundas da execução desta Lei correrão à conta dass
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suplementá-las, caso necessário, com a abertura de crédito adicional suplemolêg À
ou especial, observando o disposto nos arts. 43 e 46, da Lei Federal n.º 4.320, de 78 ===
de março de 1964, e respeitados os limites estabelecidos pela Lei Complementar
Federal n.º 101, de 04 de maio de 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal).
Art. 6.º Fica o Poder Executivo autorizado a fazer as alterações necessárias e
proceder à inclusão destas despesas nos instrumentos de planejamento exigidos
pela Lei Complementar Federal nº 101, de 04 de maio de 2000 (Lei de
Responsabilidade Fiscal), entre eles, o Plano Plurianual - PPA, a Lei de Diretrizes
Orçamentárias - LDO e a Lei Orçamentária Anual — LOA.
Art. 7.º O Poder Executivo regulamentará esta Lei por Decreto Municipal,
sempre que necessário, a partir de sua publicação.
Art. 8.º Esta Lei entrará em vi ia data de, sua publicação, revogadas as
disposições em contrário. ,
Juína-MT, 06 de março de 2017.
Travessa Emmanuel, nº 33N, Centro, Juína-MT - CEP.: 78320-000 - Cx. Postal 01
CNPJ/MF n.º 15.359.201/0001 57 Fone: (55) 3506-5500
Site : www juinamtgovbr E-nai: prefeituraQjuina:mt gov.br
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA
FUNDAÇÃO NACIONAL DO INDIO
COORDENAÇÃO REGIONAL NOROESTE/JUINA - MT
OFÍCIO Nº066/CR/NO/FUNAI-MJ Juína MI, 02.03.2017
Ao ILMO. PREFEITO MUNICIPAL
ALTIR PERUZZO
JUÍNA - MT
Senhor Prefeito,
1. Com os cordiais cumprimentos e em atenção
ao pedido da Associação Indígena Eterepuya/Cinta Larga,
vimos por meio deste encaminhar a vossa senhoria o PROJETO
do ICMS - Ecológico/2017, referente ao Progxêma de Proteção
Ambiental, Cultural e Econômica da Etnia Cinta Larga, para
ciência, análise e encaminhamentos necessários.
2. Ao ensejo, elevamos nossos distintos votos
de estima e consideração pela luta na defesa da causa
indígena.
Adegildo José do Nascimento
Coordenador Regional Substituto
CR/NO/FUNAI/JUÍNA - MT
Port. PRES nº 1048 - 28/08/2009
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05/03/2017 Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral - Impressão
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Confira os dados de Identificação da Pessoa Jurídica e, se houver qualquer divargência, providencie junto à E z fi m— É
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REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA
NUMERO DEINSRIÇÃO COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE DATADEABERTURA
MATRRSO SITUAÇÃO CADASTRAL 91/06/2007
NOME EMPRESARIAL
ASSOCIACAO DO POVO INDIGENA CINTA LARGA - ETEREPUYA
TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA)
ASSEP ,
CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL
94.99-5-00 - Atividades associativas não especificadas anteriormente
CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS
Não informada
CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA
399.9 - Associação Privada
LOGRADOURO NUMERO COMPLEMENTO: “os ”
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CEP . . BAIRROIDISTRITO “o . MUNICÍPIO : : : :
78.320-000 RURAL JUINA
ENDEREÇO ELETRÔNICO” T ee — TREFONE” re mm
(66) 3566-6827
ENTE FEDERATIVO RESPONSÁVEL (EFR)
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SITUAÇÃO CADASTRAL DATADASIUAÇÃO CADASTRAL
ATIVA 01/06/2007
MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL
SITUAÇÃO ESPECIAL DATADA SITUAÇÃO ESPECIAL
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Aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 1.634, de 06 de maio de 2016.
Emitido no dia 05/03/2017 às 19:41:56 (data e hora de Brasília). Página: 111
O Copyright Receita Federal do Brasil - 05/03/2017
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DDDD225)D222)23252222222D222D23729222D22D2DDD5DDDDRI
ESTADO DE MATO GROSSO
MUNICÍPIO DE JUÍNA - MT
FUNAI: FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO
COORDENAÇÃO REGIONAL NOROESTE/JUÍNA - MT
COMUNIDADE INDÍGENA CINTA LARGA
PROGRAMA DE PROTEÇÃO SÓCIO - AMBIENTAL E
ECONÔMICA DA ETNIA CINTA LARGA
ICMS - ECOLÓGICO
Proponente: ASSOCIAÇÃO DO POVO INDÍGENA CINTA LARGA
ETEREPUYA
Terras Indígenas: Parque Indígena Aripuanã e Serra Morena
Colaboradora e Parceira:
FUNAI - Fundação Nacional do Índio
Coordenação Regional de Juína - MT
Sede: Avenida JK, s/n - Bairro Setor Esporte, Juína - MT / Brasil
CEP: 78.320-000 Fone/Fax: 0xx-66-3566.2538
ss
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Apresentação
A Associação do Povo Indígena Cinta Larga Eterepuya tem o prazer em
apresentar ao Excelentíssimo Prefeito Municipal, representante da população do
município de Juína, (poder executivo e legislativo) uma proposta para o
Programa de Proteção Sócio - Ambiental e Econômica da Etnia Cinta Larga,
tendo em vista a utilização dos recursos do ICMS ecológico que este município faz
jus, tendo em vista abrigarem em seu território, áreas de proteção ambiental,
entre as quais as áreas indigenas dos Cinta Larga: Serra Morena, Área Indigena
Aripuanã e Parque Indígena Aripuanã.
A Associação do Povo Indigena Cinta Larga Eterepuya é uma organização
comunitária que tem como função específica a política indigenista em prol de
sua comunidade.
. São finalidades da associação junto à comunidade indígena Cinta Larga:
- a defesa dos direitos indígenas, em todos os níveis;
- o apoio à comunidade, contribuindo para sua autonomia e sua
preservação étnica e cultural;
- o reconhecimento dos seus direitos, em particular à sua organização
social, às suas expressões culturais e à demarcação de suas terras;
- a preservação do meio ambiente, a valorização do patrimônio cultural e
a busca de alternativas sustentáveis de desenvolvimento;
- a elaboração, execução e o acompanhamento dos Projetos que atendam
os objetivos e anseios da comunidade indígena;
- a busca por parcerias e a colaboração com organismos que tenham
objetivos afins.
A associação tem como missão a luta em defesa das causas indígenas,
buscando melhoria das condições de vida em diversos setores, tais como defesa
dos territórios indígenas, educação diferenciada e de qualidade, saúde
preventiva, manejo sustentável dos recursos naturais e fortalecimento
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econômico através das atividades sustentáveis que promovam a geração de
renda.
Por se tratar de uma iniciativa social e com alcance pedagógico junto
àquela população indígena, avaliamos da maior importância uma especial
consideração ao pleito que ora apresentamos em nome da comunidade indígena
Cinta Larga.
IDENTIFICAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO PROPONENTE
ASSOCIAÇÃO DO POVO INDÍGENA CINTA LARGA E TEREPUYA
Presidente: VALDOMIRO CINTA LARGA
CPF: 022.929.501-03
Endereço para contato:
Coordenação Regional da FUNAI, Avenida JK, s/n, Setor Esporte,
CEP: 78.320-000, JUÍNA - MT.
Telefone/Fax: 66 566 2538/6115
E-mail para correspondência: cr-nomtehotmail. com
Fundação: Março de 2009.
CNPJ: 08.916.233/0001-40
Endereço:Aldeia Rio Seco/Terra Indígena Serra Morena - Município de Juína - MT
DADOS BANCÁRIOS:
Banco do Brasil
Agência: 2226 - 8
Conta Corrente: 23.987 - 9
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ICMS - ECOLÓGICO: Emenda Constitucional nº 015 de 30.11.1999
Lei Complementar nº 073 de 07.12.2000
Autor: Deputado Gilney Viana
Objetivo Geral:
O Programa de Proteção Sócio - Ambiental e Econômica da Etnia Cinta Larga em
sua essência tem por finalidade à proteção da biodiversidade ecológica e
sustentabilidade social nas áreas indígenas Cinta Larga.
O referido programa terá como parceiros a Prefeitura Municipal de Juína - MT,
FUNAI: Fundação Nacional do Índio, Associação do Povo Indígena Cinta Larga
Eterepuya e a comunidade indígena Cinta Larga , tendo como objetivo principal
desenvolver ações estratégicas que venham contribuir na proteção ambiental,
preservação cultural e segurança alimentar da referida comunidade, objeto esse,
de grande relevância para sobrevivência digna do citado povo em seu habitat
natural,
Objetivos Específicos;
e Proteger a biodiversidade ecológica.
e Preservar e desenvolver de forma sustentável os recursos naturais
existentes.
e Zelar pelo bem-estar da etnia em seu habitat natural.
e Implantar atividades produtivas e sustentáveis que garantam a segurança
alimentar.
e Desenvolver atividades periódicas de vigilância e fiscalização conjunta e
integrada no interior e limites territoriais.
e Implementar ações ambientais que garantam a sustentabilidade sócio-
econômica e cultural.
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e Valorizar e respeitar a cultura por meio do desenvolvimento dos rituais
tradicionais.
HISTÓRICO CINTA LARGA
O nome Cinta Larga é um designativo genérico criado pelos regionais e adotado
pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), pelo fato do grupo vestir uma larga
cinta de entrecasca de árvore em volta da cintura. Segundo as informações
disponíveis, não é possível encontrar entre os Cinta Larga algo como uma auto-
denominação, um termo geral para o conjunto do grupo - a não ser a alcunha
"Cinta Larga”, adotada por eles em sua convivência com a sociedade brasileira.
Não é possível sustentar traduções apressadas, como às vezes se vê, de
expressões genéricas como “nós" ou “nossa gente”, que em língua Cinta Larga diz-
se pãzérey (pã-, pron.pessoal, 1º pss. plural; zét, gente, pessoa; -ey, plural). Os
Cinta Larga são enfáticos ao dizerem: "A gente não chama, nome quem dá é os
outros". Em outras palavras, parece ser preciso um Outro para nomear esse Nós,
aquele que, sendo exterior, delimita e designa o seu contrário.
Localizado no sudoeste da Amazônia brasileira, compreendendo parte dos
estados de Rondônia e Mato Grosso, o território tradicional desse grupo se
estende a partir das imediações da margem esquerda do rio Juruena, junto ao rio
Vermelho, até a altura das cabeceiras do rio Juina Mirim; das cabeceiras do Rio
Aripuanã até o salto de Dardanelos; nas cabeceiras do rio Tenente Marques e
Capitão Cardoso e as cercanias dos rios Eugênia, Amarelo, Amarelinho, Guariba,
Branco do Aripuanã e Roosevelt. Habitam as terras indígenas Roosevelt, Serra
Morena, Parque Aripuanã e Aripuanã, todas homologadas, somando um total de
2,7 milhões de hectares.
A população está distribuída em três grandes agrupamentos. Bem ao sul, nas
redondezas dos rios Tenente Marques e Eugênia, estão as aldeias do Paábiey (“os
de cima”), ou Obiey (“das cabeceiras”). Próximos à confluência do Capitão
Cardoso com o Roosevelt moram os Pabirey (“os do meio”). E, pouco mais ao
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norte, nos rios Vermelho, Amarelo e Branco, localizam-se os Paepiey (“os de Faia
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baixo”). Os Cinta Larga pensam a sua distribuição espacial tomando como eixo a 5 Ê ==
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direção em que correm as águas dos rios Aripuanã e Roosevelt, que, neste 383
trecho, seguem quase paralelos do sul ao norte. Para isso, empregam as
categorias alto/médio/baixo, que regem um espaço orientado em declive,
distinguindo os agrupamentos, uns em relação aos outros, de acordo com a
posição geográfica que ocupam.
Para entender a distribuição atual da população Cinta Larga é preciso considerar
que, ao lado dos códigos espaciais e ecológicos que fornecem termos para
identificar os agrupamentos, as relações entre o grupo e a sociedade nacional,
em particular a intervenção do Estado brasileiro, consolidou um sistema
referencial bastante específico. Foi em meio a um intrincado jogo de pressões,
omissões e principalmente concessões a interesses de ordem econômica e
política que a Funai veio a definir quatro terras indígenas contiguas, dentro do
território habitado pelos Cinta Larga. São elas: Parque Aripuanã. área Roosevelt,
área Serra Morena e área Aripuanã. Em continuidade a estas terras estão as
terras dos Suruí, Zoró e Arara do Beiradão; além destas, um estreito corredor
separa o parque do Aripuanã das terras dos Salumã (Enawenê-Nawê) e
Nambikwara do Campo.
LÍNGUA E POPULAÇÃO
A Língua Cinta Larga pertence à família Tupi Mondé, tronco Tupi, assim
como as de seus vizinhos Gavião, Suruí Paiter e Zoró.
Em 1969 a população Cinta Larga foi estimada em cerca de 2.000 pessoas.
Em 1981 seu número não ultrapassava 500 indivíduos, numa estimativa
otimista. A partir daí a população voltou a crescer, atingindo a casa dos
1.032 indivíduos em 2001 e, em 2003, estima-se que esteja na casa do
1.300 indivíduos, sendo que 450 desta população vive no município de
Juína - MT.
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HISTÓRICO DO CONTATO
Somente no século XX surgem informações precisas sobre os hoje chamados
Cinta-Larga. Dois séculos antes, todavia, têm-se notícias do bandeirante Antônio
Pires de Campos que, no ano de 1727, atravessou a chapada dos Parecis. Tendo
atingido em sua viagem provavelmente o rio Juruena, fronteira oeste do que
chamou “Reino dos Parecis”, deparou-se com a “Nação Cavihis” que, pela sua
localização e pelos dados etnográficos que deles traz Pires Campos (1862),
podem ser aproximados aos atuais Cinta-Larga.
A ocorrência mais remota que, com alguma certeza, faria referência aos Cinta
Larga foi o encontro com a turma de exploração do rio Ananaz, da comissão
Rondon, em maio de 1915 - atravessando, portanto, as terras do atual parque do
Aripuanã. No começo da viagem a expedição avistou vários grupos Nambikwara,
com os quais a comissão já estava em relações amistosas, mas depois, rio abaixo,
próximo ao ribeirão dos Perdidos, seu acampamento foi atacado por índios de
“nação desconhecida”, que mataram o chefe da turma, tenente Marques de
Souza, e o canoeiro Tertuliano, enquanto os demais conseguiam fugir (A. B. de
Magalhães 1941: 455). A comissão de Linhas Telegráficas, com a chegada dos
sobreviventes a Manaus, procedeu a um inquérito, concluindo serem “Araras” os
índios atacantes - denominação equivoca que, certamente, deve-se ao uso de
várias penas de arara nos cocares e braçadeiras, como é costume dos Cinta Larga
e outros Tupi-Mondé.
Durante o século XX diversos incidentes ocorreram marcando a história dos Cinta
Larga: em 1928 um bando de seringueiros chefiados “Por Julio Torres, sob as
ordens do peruano Dom Alejandro Lopes, o seringatista que dominava o rio
Aripuanã, massacrou uma aldeia de índios então chamados “lamé”- yamên é uma
forma usual de tratamento entre os Cinta Larga. O caso foi denunciado ao
inspetor do SPI, Bento Martins de Lemos (SPI- Inspetoria do Amazonas e Acre
1929: 180-183), que procedeu a um inquérito, com poucos resultados.
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Os Cinta Larga que tinham suas aldeias na região do Rio Branco e Guariba, ao.
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norte do território, a atual terra indígena Aripuanã, estavam em guerra com os
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seringueiros desde a década de 1950, e data destes conflitos a aquisição dos
primeiros instrumentos de metal. Se as ferramentas tornaram-se, desde então, o
móvel principal da guerra; serão também elas, no discurso dos próprios Cinta
Larga, que vão levá-los a buscar relações de reciprocidade com os Zarey, os não
índios.
Nessa mesma década de 50 começam a ser registrados os conflitos dos Cinta
Larga com feitorias de seringueiros, comboios de garimpeiros e povoados que
cresceram nas proximidades das estações telegráficas, em particular Vilhena,
José Bonifácio (antiga Três Buritis) e Pimenta Bueno. Alguns grupos de Cinta
Larga, migrando para o sul do território, haviam ocupado as cabeceiras dos rios
Roosevelt e Tenente Marques, desalojando os Nambikwara remanescentes.
As invasões do território Cinta Larga continuaram ao longo dos anos 50 por firmas
de mineração e seringalistas, e a situação se agravou, ainda mais à partir da
inauguração da rodovia Cuiabá-Porto Velho (BR-364), em 1960. Hostis aos
invasores, os Cinta Larga representavam um empecilho à expansão destes
empreendimentos, particularmente pelos afluentes Juruena e Aripuanã. Com
isto, ganharam proporções alarmantes as operações destinadas a “limpar a
área”, organizadas pela firma Arruda e Junqueira e outras, que vinham
explorando seringais e pesquisando ouro e diamante na região. Entre os inúmeros
assaltos às aldeias Cinta Larga - havendo registros de expedições nos anos 1958,
1959, 1960 e 1962 -, um desses crimes ganhou ampla repercussão, inclusive na
imprensa internacional, o chamado “Massacre do Paralelo 11”, gerando
denúncias sobre a prática de genocídio de índios no Brasil, pois um dos
participantes, Atayde Pereira dos Santos, não tendo: recebido o pagamento
prometido, compareceu à sede da inspetoria do SPI em Cuiabá para denunciar o
caso e apontar seus mandantes (A.P.dos Santos 1963).
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A década de 60 continuou em sucessivos conftitos com seringueiros. Em fins dessas ss— 2
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década, os Cinta Larga mantinham talvez mais de 30 aldeias, geralmentes g 8—— 5
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situadas junto a pequenos córregos, segundo testemunharam sertanistas e
missionários que sobrevoaram o território banhado pelos rios Roosevelt, Aripuanã
e afluentes. Poucos anos depois, em 1976, um mapa elaborado pelo fotógrafo
Jesco Von Puttkamer assinala com precisão 16 aldeias Cinta Larga e dois postos
da Funai. Nos anos seguintes a depopulação e a atração que os postos da Funai
exerceram, concentrando a população indígena, reduziu substancialmente o
número total de aldeias. Na área Aripuanã, onde a Funai só veio a fixar-se em
1984, quando o garimpo Ouro Preto foi desativado, chegaram a existir oito
aldeias simultâneas, estabelecidas a distâncias que variavam de dez a cem
quilômetros, sendo a população total da área de apenas 90 pessoas. Em 1987,
contudo, metade já residia no posto Rio Preto, nome com que a Funai rebatizou
o loca! do antigo garimpo, enquanto as demais se dividiam entre quatro aldeias
restantes.
A pacificação: uma outra guerra
Uma visita dos Cinta Larga surpreendeu os moradores da vila de Vilhena (Ro) em
fevereiro de 1965: desarmados, cerca de 60 “indios” acamparam nas
proximidades da antiga estação telegráfica, trocaram presentes e assistiram a
uma partida de futebol.
Segundo o padre Ângelo Spadari (1984: inf. pess), então pároco naquela vila, um
rapaz chegou na casa do telegrafista aposentado Marciano Zonoecê, índio Paresi,
e, tremendo, apertou a barriga por sinal de fome. O telegrafista trouxe farinha e
açúcar, e logo os outros Cinta Larga aproximaram-se, em pequenos grupos -
rapazes, um casal de velhos e uma moça. O destacamento da FAB, situado a seis
quilômetros, foi avisado da chegada dos índios, e mandou um caminhão-caçamba
com mantimentos, bugigangas e curiosos. Muito trangúilos, os Cinta Larga
permaneceram no posto até quase meia-noite, recolhendo-se aos poucos.
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Em junho do mesmo ano, o comandante do destacamento da FAB, sargento
Pereira, notificou vestígios deixados pelos Cinta Larga nas cabeceiras do Iquê, a
poucos quilômetros de Vilhena, que presumiu andarem em excursões de caça
(Arquivos do SPJ; microfilme 236, planilha 505). Em maio de 1966, no entanto,
uma nova visita à antiga estação telegráfica degenerou em conflito. No meio da
tarde, cerca de 20 Cinta Larga, sendo apenas uma mulher, vieram
aparentemente em “missão pacífica”, caminhando pelo picadão da linha
telegráfica, e foram recebidos amistosamente pela família de Marciano, pelo
boliviano Victor Garcia e por Anízio Ribeiro da Silva, apelidado “Parazão”,
trabalhador do 5º BEC - Batalhão de Engenharia e Construção. Mas um disparo
acidental, de um caçador que vinha no caminhão do BEC para se confraternizar
com os visitantes, provocou uma resposta repentina dos Cinta Larga, que
flecharam mortalmente Parazão e seu cachorro, e feriram o boliviano Victorio e
a filha de Marciano. Esta reagiu a tiros de espingarda e, com a chegada do
caminhão, os Cinta Larga fugiram.
Nesse período, os garimpeiros chegavam às centenas, vasculhando a região atrás
de diamantes, ouro e cassiterita, e os conflitos eclodiam dramáticos. Nos últimos
anos da década de 60, as hostilidades se acirraram com casos de Cinta Larga
flechando diversos regionais em mais de um episódio e, em outro momentos,
sendo alvejados a tiros por seringueiros e outros habitantes da região.
Pensando tratar-se da mesma etnia que já frequentava o posto Sete de
Setembro, a Funai logo providenciou o afastamento dos garimpeiros e instalou o
sub-posto Roosevelt, aproveitando a curta pista de pouso e os barracões
construídos pelos garimpeiros. E assim deram continuidade aos contatos com os
Cinta Larga. Em fins de 1971, porém, os Cinta Larga mataram os dois funcionários
da Funai e incendiaram o acampamento. Na versão apresentada por Pichuvy, um
garimpeiro compareceu a uma festa na aldeia, mas foi impedido de “namorar”
uma das índias e teria passado veneno no pilão de fazer chicha, causando grande
mortalidade. Na verdade, foi uma virulenta epidemia de gripe que dizimou a
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população de várias aldeias. Os sobreviventes pretenderam vingar-se, e atacaram
o acampamento onde a Funai se instalara recentemente. Para os Cinta Larga esta
seria a explicação mais plausível para uma doença tão letal, até então
desconhecida. São frequentes as acusações de envenenamento quando há mortes
ou doenças, uma vez que tal técnica de agressão é muito usual.
Ao longo de sua história de contato, a relação entre os Cinta Larga e a sociedade
nacional é bastante singular: todos os contatos amistosos foram estabelecidos
por nítida iniciativa dos indígenas. Desta forma, poderiamos dizer que foram os
Cinta Larga que pacificaram os “brancos”; feito inédito, em janeiro de 1974 a
“pacificação”, partiu ostensivamente dos próprios Cinta Larga Quando narram a
visita à cidade, com efeito, os Cinta Largá que participaram da aventura
explicam que desejavam obter ferramentas - dabékara weribáte: os machados e
terçados estavam acabando. E rememoram os momentos dramáticos da
empreitada, que deu-se através de aproximações sucessivas. Observando a rota
dos aviões que tornavam-se mais assíduos em Aripuanã desde o início do “Projeto
Aripuanã” (o Núcleo pioneiro de Humboldt, da Universidade Federal de Mato
Grosso), eles vieram para Paíkini. E hoje Paíkini designa para eles este
acontecimento, vocábulo que os moradores de Aripuanã pensaram significar
“amigo”. Os Cinta Larga queriam encontrar-se sim, e receber os desejados
instrumentos de metal - alterando com isso, radicalmente a natureza que até
então mantinham com os Zarey.
ORGANIZAÇÃO SOCIAL
Os grupos Cinta Larga são Mân (com várias subdivisões), Kakin (com subdivisões)
e Kabân (sem subdivisões). É provável que, anteriormente, houvesse maior
nitidez na distribuição demográfica destas divisões: Os Kabân ao norte, na região
dos rios Branco e Vermelho, os Mâmderey no meio, e os Mâmijiwáp nas
cabeceiras dos rios Tenente Marques e Eugênia. Após a instalação dos postos da
FUNAI foram feitos sucessivos remanejamentos mudando a ocupação espacial
desses grupos.
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A família é a unidade significante da organização social Cinta Larga:
praticamente auto-suficiente e com grande liberdade para movimentar-se de
uma aldeia para outra. Um homem, suas mulheres e os filhos desenvolvem as
atividades complementares necessárias para a vida cotidiana. As aldeias maiores
- cada aldeia possuía uma ou duas casas grandes -camportavam na área de
Aripuanã de três a cinco famílias: o dono da casa, suas esposas, seus filhos
casados ou solteiros, filhas solteiras e noras, talvez seus irmãos e famílias, às
vezes suas filhas casadas e genros..
Com efeito, a aldeia é assim constituída e reunida em torno de um homem de
prestígio - zápiway, literalmente, "dono da casa”. . À liderança que este homem
exerce decorre, como ponto de partida, da sua disposição para tomar iniciativas,
como construir uma nova casa, abrir uma roça, oferecer festas e, também,
promover arranjos matrimoniais.
Fundada assim por um homem disposto a ter sua própria záp - o termo designa
simultaneamente o local e a construção -, a aldeia se mantém enquanto
perduram as condições ecológicas e políticas necessárias: abundância de caça,
faixas de terras férteis nas proximidades, boas relações com as aldeias vizinhas.
Arruinando-se estas condições, as mudanças de local acontecem em intervalos
de cinco anos ou pouco mais.
A relação de descendência entre pai e filho, portanto, parece oferecer a base
para a coesão de uma aldeia Cinta-Larga - o que a distingue, ao que tudo indica,
do modelo Zoró, onde a escolha residencial uxorilocal reúne, de partida, genro e
sogro e afasta os filhos homens. No caso Cinta Larga, a escolha é evidentemente
patrilocal, embora condicionada a injunções de natureza política. Costumam os
filhos homens, com suas esposas e filhos, morarem juntos às vezes até a morte
do pai, quando então se separam para fundarem suas próprias aldeias. Estas,
porém mantêm uma relativa proximidade geográfica, em média de 10 a 15
quilômetros uma das outras, e seus membros costumam visitar-se com bastante
frequência, a passeio ou para outros intercâmbios.
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Tradicionalmente, sobretudo antes dos contatos com a FUNAI, a aldeia cinta
larga era constituída por uma ou duas casas que abrigavam uma linhagem
patrilinear. Com a intensificação dos contatos com agentes da sociedade
nacional, passaram a constituir aldeias com casas que abrigam uma família
nuclear de diferentes linhagens.
Esse movimento de concentração e dispersão, ordenação e reordenação é
regulado, em parte, pelas relações de parentesco (onde o “dono da casa”
congrega um grupo de agnatos); ciclos ligados a caça e colheita; atritos e
desavenças políticas; além do contato entre índios e sociedade nacional.
A situação após o contato com a FUNAI tornou ainda mais instável o equilíbrio
das relações políticas, devido principalmente à aglutinação das casas de famítias
nucleares em torno dos postos, juntamente com a dificil relação dos Cinta Larga
com as cidades da região, e os invasores do território - como as madeireiras,
garimpeiros e outros intrusos -, com os quais muitas vezes o grupo mantém
relações de troca. Sendo assim, há algum tempo, a solução que muitos
encontraram foi selar contratos com madeireiras e garimpeiros abrindo a área à
extração de madeira, ouro e diamantes. Quando o grupo não alcança consenso
interno nesses acordos comerciais, novas cisões ocorrem. Mas, mesmo quando o
consenso é encontrado e o grupo como um todo concorda com tais
empreendimentos, a dispérsão prossegue. Sendo assim, o dinheiro obtido com as
transações faz com que alguns jovens casados passem a manter casas em cidades
da região, onde residem com uma esposa não-índia, visitando a aldeia de tempos
em tempos. Em todas essas situações os valores que tradicionalmente
sustentavam o prestígio das chefias tendem a se modificar.
Parentesco
Ainda que não despido de uma certa dose de competição, o relacionamento
entre irmãos é marcado por expressiva solidariedade e familiaridade. E
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geralmente, um desses irmãos exercita uma certa ascendência sobre os demais,
sendo reconhecido como zábiway da área.
A filiação às divisões é, por regra, estritamente patrilinear. Há indivíduos, ainda,
a quem se atribui uma dupla filiação, alegando que dois homens, de divisões
diferentes, participaram de sua concepção, porque ambos tiveram retações
sexuais com sua mãe. São, como eles dizem, “misturados”. Assim uma pessoa
poderia ser Kabân e Mâmgip ao mesmo tempo. A dupla filiação, entretanto, não
se transmite aos seus filhos, os quais apenas carregarão a divisão preponderante
do pai, traçada a partir do marido da mãe do pai, ficando obscurecida a filiação
secundária que derivava de relações extra-conjugais. Isto é, um homem
Kabân/ Mâmgip “misturado” portanto, contribui todavia para o filho unicamente
com a qualidade Kabân, que é a divisão do seu “pai verdadeiro” (zóp teré),
marido de sua mãe.
Nominação
O sistema de nominação vem recortar um certo campo da vida social, centrado
na esfera doméstica, consolidando laços de consaguinidade e de aliança. Para os
Cinta Larga, diferentemente dos Suruí (Mindlin 1985) e dos Zoró, a nominação
não formula modos de adereçamento, papel que cabe à terminologia de
parentesco, às regras de etiqueta e, com destaque inusitado, aos apelidos. Em
seral, os “nomes verdadeiros” são dados ao conhecimento apenas dos familiares
próximos e das pessoas de sua confiança. Signos da individualidade por um lado,
índice de intimidade por outro, os “nomes verdadeiros” dos Cinta Larga são para
guardar, e estão por isso afastados da vida diária, são os set teré (“nome
sigiloso”). No cotidiano, outras formas de identificação são usadas,
representando também certos recortes da vida social,..colocando em evidência
algumas relações, alguns contextos.
Ao nascer, a criança recebe um primeiro nome: se menino, de seu kokó (tio
materno) ou de seu kifia (avô ou avó paternos), se menina, de sua zobey (avô ou
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avó maternos). Destaca-se o objetivo individualizante dos nomes: traduzem uma
característica ou alguma marca pessoal, fisica ou de comportamento. Por
exemplo, Oy Páidy (“dono do veneno”), Dáiey Akdra (“matador de civilizados”),
Oy Pereá Tiri (“homem bom matador de bicho”), Poposâmpirakira (“caçador de
aves”), Jápã Goroey Aká (“muitas flechas para matar?) e o Oy Ândát Kabira
(“homem cabeça pequena”), são nomes de homens. E Zêgina (“fecunda”) e
Pãgópakóba (“a que apreride a falar”), de mulheres. Ao longo de sua infância, o
pai ou o zábiway da aldeia - talvez, também outros parentes -, poderão atribuir
um segundo ou um terceiro nome à criança, inspirados agora nas circunstâncias
ou acontecimentos de sua vida. Dentre os nomes escolhidos, embora marcas de
individualização, nada impede a ocorrência de homônimos.
Há outros indícios de que, no sistema Cinta Larga, o princípio da consangiinidade
constitui um modelo privilegiado para expressar identidades sociais de ordens
diversas, a exemplo das divisões patrilineares e dos grupos locais.
Particularmente, a própria noção de parentesco é pensada pelos Cinta Larga
enquanto consangiinidade, ou mais propriamente, germanidade (relação entre
irmãos de mesmo pai e mesma mãe). Há duas formas de perguntar acerca da
relação entre duas pessoas: Me à te zá kayá (Como você o chama ?), que
sublinha o sentido classificatório do parentesco, e Tet êzâno (“Ele é seu
parente?). A palavra zãno, aqui servindo de termo geral para parentesco, tem
antes, num contexto mais preciso, o significado próprio de "irmão".
Para os Cinta Larga, a fertilidade não é uma qualidade inata das mulheres, mas
deve-se à ação da divindade Gorá, que se introduz pela vagina das meninas,
quando estas ainda engatinham. Já a paternidade é atribuída a todos aqueles
homens que “ajudaram a fazer” a criança, isto é, que mantiveram
relacionamento sexual com a mulher no curso de gestação. Com isto a mãe
estará obrigada, no momento em que a criança estiver apta a compreender, a
indicar-lhe os outros “pais” para que possa dirigir a eles o tratamento correto,
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Casamento.
As meninas costumam casar, pela primeira vez, entre oito e dez anos, sendo que
a sogra - a observar-se a escolha preferencial de casamento, os sogros e os avós
maternos, na perspectiva feminina, coincidem - encarregar-se-á de sua
educação, tarefa diretamente ligada ao marido. Isso de dá devido ao casamento
avuncular, realizado entre o tio materno e sua sobrinha, uma vez que nesse tipo
de união, para a cônjuge, os sogros e os avós maternos são a mesma pessoa.
Passando a viver no grupo do marido (patrilocalidade), ela continuará, por alguns
anos ainda, a brincar com as demais crianças,” e somente assumirá
responsabilidades domésticas (cozinhar, colher, tecer etc.) depois da primeira
menstruação, Com a merarca (a primeira menstruação), ritualmente marcada
por um período de reclusão, também virão as relações sexuais entre os cônjuges.
É interessante notar que, sinal desta passagem para uma nova fase, marido e
mulher usam pintar-se o corpo de genipapo: zigue-zagues, listras e pontos, no
rosto, um padrão típico, formado por uma linha larga horizontal e pontos.
Por vezes, algumas meninas passam de um marido a outro, e em certos casos
retornam aos pais, antes de consolidar-se um casamento mais estável - o que,
frequentemente, vai ocorrer com o nascimento do primeiro filho. Exemplo, uma
mulher Kakin da área Aripuanã primeiro foi dada a um Kaban irmão de sua mãe
(tio materno); este daí entregou-a a seu filho mais velho, mas, depois, ela veio a
casar-se com um meio-irmão do primeiro, com quem teve filhos e permaneceu
unida.
Por outro lado, são comuns casamentos de rapazes com mulheres mais velhas,
viúvas ou esposas de parentes poligamos - seja porque suas irmãs ainda não tem
filhas núbeis, seja por outros motivos, é raro a união de rapazes com meninas
novas. Inexperientes e com pouco prestígio, quando pensam em buscar esposas
em outras aldeias ou áreas distantes, Os rapazes recorrem sempre a um parente
mais velho: o intermediário dirige-se ao pai, irmão ou marido da noiva, e entoa a
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“fala cerimonial” em favor do rapaz. Uma forma indireta, com as mesmas
consegiiências, é o casamento com a ou uma das esposas do pai (com exceção da
própria mãe), que, por vezes, dá-se como um reconhecimento, a contragosto, de
uma situação de fato, a partir do envolvimento sexual do filho com a mesma.
Em seu sistema de alianças, o casamento avuncular (casamento da filha com o
irmão da mãe) tem um lugar especial. Os Cinta Larga formulam a regra de
maneira clara: “casamento bom”, dizem eles, é com a filha da irmã. “Com a
filha de irmã meu eu casa”, é a lição do mito relatado por Pichuvy (Cinta Larga
informante de João Dal Poz), no qual os irmãos foram convencidos pelo marido
da irmã a esperar o nascimento da sobrinha, para com esta casar e morar.
“Disse que o primeiro tinha mulher, três irmãos de mulher e outro índio marido
de mulher. Índio tinha vontade de transar com mulher. Marido dela falou:
-Vocês não podem transar essa mulher! Trata-se da irmã de vocês- falou assim-
eu vou fazer suas mulheres! Quando minha filha nascer, aí vocês casam com
ela... moram com ela,
Por isso que os Cinta Larga casam com a filha da irmã.”
Poligamia
A poligamia é largamente praticada pelos Cinta Larga, em arranjos variados. Em
geral as esposas distanciam-se em idade, quando meninas adolescentes são
incorporadas à família como segunda ou terceira esposa. É muito comum, por
exemplo, um homem tomar em casamento a irmã mais nova de sua esposa, ou
então uma irmã classificatória desta. Casar-se com uma viúva permite, às vezes
receber também ao mesmo tempo, a filha desta como segunda esposa. Grosso
modo, o número de esposas de um homem serviria como índice de prestígio,
força política e, num certo sentido, riqueza - embora a poligamia não seja, entre
os Cinta Larga, um apanágio exclusivo dos chefes ou “donos da casa”, zápiway,
são eles os principais beneficiários.
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A estratégia matrimonial contempla várias formas e alternativas para realizar-se.
O relacionamento entre os sexos, a despeito destes fatos, longe está de um
processo aleatório, ao contrário, é resultado do jogo de interesses e poder
reservado aos homens. Como corolário, é o chamado “roubo de mulher”, isto é, o
envolvimento e posterior fuga com alguém de uma outra comunidade, cinta larga
ou não, sem o consentimento do pai, irmão ou marido, que vem transtornar a
vida da comunidade, pois coloca em questão a autoridade masculina, e muitas
vezes leva à guerra. As mulheres são, declaradamente, o pretexto ou pivô de
quase todos os conflitos. Mas estes se resolvem enquanto “confrontos entre
homens”, percebidos que são como disputas de interesses de grupos comandados
por homens. E, neste sentido, “trocar mulheres” pode ser o início de uma
convivência pacífica entre grupos, resolvendo pendências por meio de um
processo baseado na reciprocidade.
Socialização
Sabe-se que o nascimento de uma criança inaugura um tempo forte, marcado,
para o casal e a família: traz inúmeros riscos, exigindo cuidados de toda ordem.
No caso Cinta Larga, a liminaridade explica-se porque está em questão a
separação entre homens e animais. Período consagrado a moldar o ser social da
criança, submetem-na a banhos de ervas, massagens e rezas, dão-lhe um nome e
“conversam” constantemente com os recém-nascidos. Quanto ao resguardo
alimentar, trata-se de equacionar uma relação unívoca, necessária para
identificar a criança enquanto membro da sociedade.
O processo de formação dos indivíduos tem como direção dominante a
constituição da personalidade independente, auto-suficiente. Até três ou quatro
anos a criança é companheira inseparável da mãe. Quando já se movimenta e
fala com desenvoltura junta-se a pequenos bandos que imitam os adultos na
coleta de frutos, na captura de pequenos animais e peixes. O resultado é a
formação de uma postura desenvolta e algo turbulenta, que mantém ativa a
disposição. de reagir a qualquer fato do seu desagrado. É no jovem por volta dos
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16 anos que essa postura melhor se expressa. Destemido, o jovem Cinta Larga
parece não aceitar limitação, imposição ou ordens de ninguém. Sabe pedir o que
quer diretamente, sem rodeios, e nenhum é bajutador ou servil. Pouco a pouco
meninas e meninos dominam as técnicas de trabalho relativas ao seu sexo,
preparando-se para a vida-pública.
O estilo de vida caçador dos Cinta Larga pode ser visto na própria infância.
Desde pequenos, os meninos andam por todo o lugar carregando seus arquinhos e
flechinhas, quase sempre perseguindo calangos e borboletas. Maiores, passam a
acompanhar seus pais nas caçadas, e na adolescência vão caçar com seus
companheiros, colaborando aos pocos para a alimentação da família.
A partir dos sete anos submetem-se a perfuração do lábio inferior, onde passam
a usar como adorno um pequeno bastão de resina de árvore. A menina entra em
reclusão dentro de sua própria casa durante sua primeira menstruação. O
menino, à medida que passa a ter sucesso nas caçadas que realiza em companhia
de adultos e, antigamente, quando participava com sucesso de incursões
guerreiras, passa a compor suas próprias canções que relatam seu êxito.
Finalmente quando o homem se casa com a filha de sua irmã, fazendo o ingresso
definitivo na vida adulta, a passagem é marcada pela cerimônia de entrega de
presentes rituais (flechas ricamente adornadas) ao sogro, e pelo compromisso de
cuidar e tratar bem da esposa que é recitado num diálogo discursivo que tem
com o pai da noiva e os pais classificatórios da noiva.
Em traços gerais, a vida econômica dos Cinta Larga organiza-se segundo três
eixos: divisão sexual do trabalho, oposição entre aldeia e floresta e alternância
das estações.
No período das chuvas, concentram-se na aldeia; dispersam-se no estio. Na
floresta, a predação; em casa, a transformação em comida e artesanato. Os
homens, exímios caçadores; as mulheres, cozinheiras. A bem dizer, as linhas
divisórias, na prática, não parecem tão exatas, e muitas mediações e
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versatilidade permeiam as tarefas cotidianas. Não é raro ver um homem
rachando lenha se no jirau está a carne para moquear, mesmo que a mulher não
tenha uma criança de colo para cuidar. Jamais, porém, um homem tece algodão
ou faz chicha, nem uma mulher carrega arco e flecha para caçar.
Os Cinta Larga denominam o ciclo anual de gao, que num sentido estrito é a
estação seca (julho-outubro). A estação chuvosa é zoy (janeiro-abril) - “chuva”,
na tradução. Os períodos intermediários são chamados magábiká, “tempo da
roça” (maio-junho) e gao weribá, “fim da seca”, ou “fim do ano”, As atividades
econômicas e sociais distribuem-se desigualmente em relação as estes quatro
tempos.
Pesca
Os Cinta Larga preparam flechas especiais (longas hastes de madeira, sem lâmina
na ponta), para atirar em peixes, desde a margem do Igarapé. Hoje em dia,
pescam também com linha de nylon e anzol. Embora praticadas ao longo do ano
inteiro, é nos meses de novembro a janeiro, quando os rios voltam a encher e os
peixes sobem seus cursos, que estas pescarias (borípey) dão melhores resultados,
principalmente nos poços e corredeiras. Na área Aripuanã, ainda, pescam
piranhas, e, no rio Branco, surubins durante a estação seca.
Ao invés de grandes rios, os Cinta Larga se situam nos pequenos igarapés, onde
usufruem da variação ecológica dos meses de estio, com as correntes d'água
minguadas e muitos poços onde os peixes refugiam-se. É quando saem para
acampar e bater timbó.
Nestes acampamentos (gerep), nos meses de agosto e setembro, organizados por
duas ou três familias, vive-se o que parece ser o ideal de vida Cinta Larga:
comida farta (peixe, mel e tudo mais que se pode encontrar), ordem temporária
e precária, improvisação e liberdade de movimentos. É na floresta que os Cinta
Larga se sentem bem: “Dormir no mato é bom”, confirmavam eles. À distância
de poucas horas de caminhada, ali passam cerca de uma semana, antes de
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retornar à aldeia, dias depois, com uma nova carga de mandioca e cará, tomam
um outro rumo, para um novo acampamento.
Para bater timbó escolhem certos locais propícios: grandes poços, água parada,
muitos peixes. Itaká (“bater n'água”) ou bókobóko (vocábulo onomatopaico) é,
em geral, uma atividade que exige a cooperação de vários homens. Primeiro
cortam o cipó (dakáptapõa) e amarram em feixes; às vezes utilizam também
cascas de uma árvore leitosa, acondicionadas em cestos de folhas de palmeira.
Com cacetes, vão batê-los à montante, ocupando-se até meados da tarde. Os
peixes começam então a virar, e são flechados ou pegos com a mão, mas é só no
dia seguinte que as águas e as margens, por vezes ao longo de um quilômetro ou
mais, estarão coalhadas de peixes mortos. Crianças, miilheres e homens, todos
participam, recolhendo-os em fieiras. São daí assados em jiraus, os menores em
“pacotes” feitos de folhas novas de babaçu.
Agricultura
Dedicam um tempo muito reduzido às práticas agrícolas, as quais, inclusive, são
depreciadas frente à aventura da caça. Faz-se, assim, o estritamente necessário:
derrubadas e queimadas pelos homens, mas plantadas com a ajuda das mulheres.
As roças quase não recebem limpeza ou capina posterior, dificultando
sobremaneira o trabalho da colheita, paulatinamente realizado pelas mulheres.
A agricultura é, por outro lado, responsabilidade dos homens casados: quem não
tem mulher, normalmente não tem roça. A iniciativa e o esforço indicam o
proprietário de uma roça, mas existe muita cooperação entre todos. Ainda que
cada homem casado da aldeia tenha a sua, a roça de maior extensão é, em geral,
a do zápiway, “o dono da casa”. É como se, em certa medida, a moradia e a roça
fossem inerentes à função de chefia - e, veremos no item “festa”, que casa e
comida estão entre os elementos ritualizados na festa. Vale lembrar que, para
convidar parentes e aliados para festejar, é necessário abrir roças bem maiores
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que as habituais, obrigando os moradores da aldeia anfitriã a, no ano anterior,
redobrar os esforços agricolas.
Após escolher a área, o “dono da roça” começa a brocar a vegetação rasteira em
fins de maio. Já nesta fase, como também para a derrubada das árvores maiores,
que vai até julho, e para o plantio, que inicia em' setembro, ele convida
constantemente alguns homens disponíveis, casados e solteiros da aldeia, ou
quem por lá esteja de visita, ou passagem.
O trabalho nos roçados, ao qual dedicam as manhãs e os fins de tarde, acontece
de modo descontínuo, intercalado por caçadas, pescarias, acampamentos,
viagens e dias de descanso.
O milho (mék) é o primeiro a ser plantado; depois aos poucos, variedades de
mandioca (xíboy), cará (mofiã) e inhame (mãkap) e um outro tubércuto
feculento, marájia, que se come cru e cujas sementes parecem feijões grandes.
Hoje, plantam também arroz, feijão, mamão e banana.
Os Cinta Larga não plantam a chamada “mandioca brava”, ou sequer dispunham
de um processo para fabricar farinha - alimento típico dos históricos Tupi do
litoral e outros deste tronco lingúístico. Com isso, a possibilidade de armazenar
alimentos é reduzida: a não ser as espigas de milho, que são estocadas em paiol
na roça ou em feixes amarrados no teto da maloca, a colheita dos demais
produtos agrícolas responde ao consumo doméstico. Colhem suas roças de
maneira singular: os pés de mandioca, por exemplo, não são arrancados. As
mulheres escavam com um pau apropriado e retiram apenas as raízes maiores,
deixando as demais intactas.
Um dos principais resultados do cultivo das roças é a “chicha”, um alimento
cotidiano: de mandioca, cará, milho ou batata-doce, tem a consistência de um
mingau e é reputada por sua qualidade nutritiva, pois dizem, fortalece e
“engorda” os consumidores. Nesta culinária tem-se ao menos uma receita mais
elaborada: as mulheres cozinham os pedaços, socam, mastigam e acrescentam
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temperos - na época própria, o mel é quase sempre um dos ingredientes.
Diferente da “makaloba” Suruí e da chicha Zoró, a dos Cinta Larga praticamente
não sofre fermentação, sendo consumida na noite do mesmo dia e nos dias
seguintes.
Caça
A caça é atividade que mais interessa ao Cinta Larga: a ela se dedicam
assiduamente e é um dos assuntos preferidos na conversa entre os homens. Para
seus fins, despendem -inúmeras tardes em suas “oficinas”, pequenos
acampamentos a cerca de duzentos metros da maloca, no frescor da floresta,
onde sós ou em conjunto confeccionam arcos e flechas. Objetos preciosos, os
caçadores tudo fazem para recuperar as flechas que dispararam, tomando
precauções ao mirar ou trepando, no que são hábeis, nas mais altas árvores.
A caça é praticada ao longo do ano inteiro, porém o rendimento das expedições é
variável, havendo um período bastante fraco - talvez devido ao ciclo de migração
dos animais - no auge da estação seca (agosto-setembro). Quase todos os
animais - aves, mamíferos, peixes e répteis, mas apenas a jibóia entre as cobras
- são aproveitados para alimentação. Os mais abatidos, certamente por
numerosos, são variedades de macacos e aves, como jacu, jacutinga e mutum.
Queixada, caitetu e anta, porém, são os mais apreciados. E a gordura é o
principal indicativo para o paladar: quando alguém está limpando a presa, logo
perguntam: Tét kamddk (“Está gordo?”).
A caça, de um modo geral, desenvolve-se em caminho habituais (b6), cada qual
explorando uma região próxima à aldeia, atingindo um raio máximo de 15
quilômetros ao seu redor, que são periodicamente percorridos pelos caçadores.
Caçadas noturnas não eram praticadas tradicionalmente, porém a introdução de
armas de fogo e lanternas vem alterando este padrão. Os Cinta Larga, por outro
lado, são peritos em construir esconderijos (digit), como também “chamar” os
animais, arremedando seu assovio ou grito, com perfeição. Ao fim do período
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chuvoso, costumam rastrear e asfixiar a paca e o tatu no buraco, abanando
fumaça para o seu interior. E na estação seca, procuram o jacaré nos leitos dos
córregos, arrancando-o de dentro das tocas onde se aloja.
A aventura da caça, todavia, não se reduz à sua tecnologia ou à coragem pessoal,
antes supõe uma expressão mágica, uma simbologia onírica e uma dieta
alimentar - são estas que denotam uma relação essencial entre os caçadores e
animais, afeita à sua cosmologia. Verdadeira ética a guiar seus passos, obriga-os
a uma cuidadosa preparação anterior ao encontro com a presa, através de um
processo que assimila o caçador à sua caça.
Chegando da caçada carregado, o caçador, num gesto algo teatral, joga no meio
da casa o pasápé (cesta improvisada de folhas de palmeira), ou deixa-o na
entrada do caminho para sua mulher buscar. Normalmente, ele já limpou e
esquartejou o animal abatido, deixando a carne em pedaços apropriados. A
mulher desembrulha e, se for o caso, sapeca os pêlos do couro, antes de colocar
as postas na panela.
Na preparação da carne, seja de caça ou de peixe, cozinhar é a principal técnica
da culinária Cinta Larga. Se o peixe logo está no pontó, a carne de caça exige
uma longa cocção que, iniciada ao cair da noite, dura de cinco a seis horas, no
caso dos animais maiores. Temendo os efeitos maléficos dos resíduos sanguíneos,
a carne é fervida até que não reconheçam mais nenhum traço de sangue. Regra
alimentar crucial, evita-se qualquer contato entre sangue e comida - os Cinta
Larga horrorizavam-se, por exemplo, com nosso hábito de levar à boca pequenas
feridas nos dedos. Dizem eles que o sangue, se ingerido, traz graves doenças
(febres, dores de cabeça, malária etc.). Lavam por isso com areia,
criteriosamente, as facas usadas para cortar a caça, e não permitem, de
nenhuma maneira, que a carne sangrenta seja depositada nas cestinhas que usam
para comer.
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Entre os Cinta Larga, a princípio, cada família tem uma cozinha: marido, esposa
ou esposas e filhos, formam uma unidade de produção e consumo. Cada uma
delas, no canto que ocupa na maloca, acende seu próprio fogo, para cozinhar e,
à noite, aquecê-la. Auto-suficientes, mas não estanques, as famílias representam
as unidades da troca alimentar, em sua versão diária. Regularmente, articulam-
se numa rede de circulação de alimentos que inclui tanto os moradores da
aldeia, como os visitantes. A todo momento, pequenos agrados ou petiscos vão
de um homem a outro, uma mulher a outra. Sempre corteses, não deixam de
acolher numa rede e oferecer cará cozido ou outro bocado, mesmo a um co-
residente que apenas aproximou-se para conversar. Ao lado desta série de
gentilezas e afetos informais, sobressai um outro circuito, este sim convencional.
A rigor, uma etiqueta marcadamente masculina, que distingue dois alimentos, a
carne e a chicha, cuja distribuição é considerada obrigatória. Ao lado disso existe
todo um jogo sutil de formalidades e acanhamento, ou diríamos, de regras de
boas maneiras a serem observadas em relação à comida - ao fazer, ao dar, ao
receber e ao comer.
Coleta
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Dentre as atividades de subsistência, a coleta de produtos florestais pode
representar, antes de tudo, também ocasiões para comer. É bem verdade que as
frutas silvestres, como cacau (akóba), pama (abía), abiurana (dedêna), jatobá
(madéa), ingá, patauá (oykap) ou pequi (bixâma), ainda que muito apreciadas,
não passam de guloseimas, visto que pouco influenciam na dieta do período.
Importantes são as castanhas (mâmpgap) e o mel de abelhas (iwit), em torno dos
quais organizam-se expedições à floresta que agregam, em dias normais, duas ou
mais famílias - homens, mulheres e crianças. São como passeios, cheios de
momentos alegres e prazeirozos.
O método da coleta é o mesmo das caçadas. Se alguém Localiza uma colméia,
dias ou semanas antes, em meio a alguma caçada ou viagem, será ele o béxipo
ao combinar a expedição com os demais: a golpes de facão limpa as picadas,
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derruba ou orienta a derrubada da árvore, abre a colméia e distribui os favos e o
mel, e recolhe uma parte maior para sua família.
Nestas expedições de coleta, os homens caminham na frente levando suas armas,
atentos aos ruídos, sinais ou movimentos que indicam a proximidade de alguma
caça, bem atrás, distanciadas, vêm as mulheres carregando seus bebês, os
cestos, panelas e machados, marcando seus passos com o das crianças maiores.
Sem se perder, marcham na trilha às vezes quase imperceptível dos maridos - a
marca de uma pisada, ali um ramo quebrado, adiante uma folha virada. Além
disto, fato interessante, quando andam na floresta os Cinta Larga raramente
modificam a ordem inicial da fila indiana: se param para descansar ou saciar a
sede num córrego, ao retornar a caminhada ocupam, obsequiosos, os mesmo
lugares de antes. Enquanto regra de boas maneiras, hierarquiza o grupo ao
caminhar, e com isso revela, mais uma vez, uma forma de organização das
atividades coletivas que têm no bexipó seu princípio ordenador. Se este na ida
segue na dianteira, inverte na volta as posições, ocupando a rabeira da fila.
Primeiro ou último, mas sempre um lugar único, necessário, ponto focal.
Entre os tipos de mel aproveitados pelos Cinta Larga, preferem o das abelhas
mansas. Abelhas agressivas, mas sem ferrão, com a “xupé” (arama), enfrentam-
nas porém corajosa e festivamente, aos risos e gritos. O quadro sugere, ainda
que não declarado, uma paródia dos embates guerreiros: avançam com as tochas
de palha acesas, equilibrando-se pelo tronco da árvore derrubada, para jogá-las
sobre a colméia caída; fazendo algazarra, não recuam apesar da nuvem de
abelhas enfurecidas, que grudam e mordem no corpo e nos cabelos. Aberta a
colméia a machado, em volta a distribuição é feita rapidamente, em grandes
pedaços. Só então os homens afastam-se, correndo, e vão saborear os favos com
suas mulheres e filhos, à distância. Aos poucos, dat, vão sendo cheias as panelas
e recipientes de paxiúba (daroíp) com mel e pedaços da colméia.
Da mesma forma, no período chuvoso as famílias, duas ou mais, saem para
quebrar castanhas, indo aos castanhais conhecidos. Lá, homens e mulheres
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Muito apreciada, comem-na a todo instante, como complemento ou só. Bebem “Gsm
chicha mastigando-a junto - gentis, brindam os convidados com amêndoas
descascadas. E, socada e assada em cartuchos de palha, fazem uma deliciosa
iguaria chamada mâmdik.
Petiscos apreciados nas épocas próprias, as mulheres, principalmente, coletam
larvas de coleópteros, alojados nos coquinhos de babaçu e tucumã, e de um
lepidóptero, que se enrola em folhas. Em dias de novembro, espalham-se todos
para recolher as tanajuras (mamóri) que voaram dos formigueiros. Larvas e
tanajuras, fritam-se para comer.
Afora os alimentos, uma extensa relação de matérias primas leva-os a
excursionar pela floresta: as mais diversas folhas e raízes para medicamentos;
palhas de açaí, babaçu e tucum para cestos; fibras de tucum e outras para cordas
e cordões; coquinhos e xikába para contas de colar; pedras arenosas para lixar os
colares; tabocas para flautas transversais e de palheta; taquaras para flechas;
pupunheira para os arcos; madeiras e enviras para os mais variados usos; bainha
das folhas de paxiúba para guardadores de apetrechos e penas; raízes da
paxiubinha para raladores; resinas para iluminação etc.
Uma outra relação poderia incluir alguns materiais novos e os produtos
“importados” das cidades, integrados agora à vida cotidiana dos Cinta Larga:
varetas de guarda-chuva para furadores; alumínio e plásticos para contas e colar;
pedaços de metal para cortadores de contas; latas furadas como peneiras;
garrafas para guardar mel; facas, facões, machados e enxadas; linhas de nyton e
anzóis; espingardas, roupas, sandálias e valises; isqueiros; e inúmeros outros
itens.
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Divisão do trabalho
Afora estes, as atribuições são bastante claras. Se não estão cozinhando ou
colhendo nas roças, as mulheres absorvem-se, incansáveis, nas tarefas
artesanais. Pode-se, a todo momento, vê-las no pátio ou dentro de casa fiando
algodão, quebrando coquinhos ou tecendo cestinhas de palha. Confeccionam os
seguintes itens: redes de dormir (ihi), braçadeiras (nepóáp) e pulseiras
(arapédp), tipóias para bebês, colares de conta (bak'ri), colares de cipó (amoíp),
cintas femininas (xiripót), cestos (adó), cestas (datia). As panelas de cerâmica
(bosáp) foram, rapidamente, substituídas pelas de alumínio, não sendo mais
fabricadas.
Já o trabalho masculino caracteriza-se pela descontinuidade: esforços intensos
na caça ou na roça são entremeados de horas ou dias de descanso. Em casa,
dormem nas redes, comem ou bebem chicha e fabricam: cocares, flautas,
adornos labiais, furador, pilão, cocho etc. Mas, visivelmente, são os arcos e as
flechas os principais artigos dos homens. Além do que foi abordado, resta dizer
que, embora artigos de uso pessoal, a quantidade de flechas de uma aldeia está,
também, entre as preocupações de um zápiway. Convocar seus companheiros
para jápâga (“fazer flecha”), reunindo-se com ele na oficina, dispor de
apetrechos (taquaras, penas, fios, cera), colocando-os à disposição dos demais,
supervisionar o trabalho e inspecionar a qualidade das flechas, são formas de
estimular sua produção. Outras são as expedições para buscar taquaras, em
trechos de cerrados dentro ou fora das suas áreas. Em particular, a festa seria
uma ocasião para formar um estoque de flechas, e neste sentido um dos motivos,
ao lado de outros, para um zápiway promovê-las.
A partir de 1980 começam a fazer a extração da borracha e coleta de castanhas
visando a comercialização. O isolamento da área, dificuldades de transporte e a
pequena escala da produção propiciam um retorno monetário pouco significativo.
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As atividades masculinas são a caça, a derrubada das árvores e o preparo da
terra para o cultivo, a confecção de arcos, flechas, flautas, adornos plumários,
extração de borracha, pesca, construção da casa e limpeza do mato próximo à
aldeia. As mulheres coletam, fiam algodão e fibra de tucum, fazem redes,
cerâmica, cuidam da colheita das roças, da alimentação diária, produzem colares
e pulseiras. E, como foi dito, homens e mulheres coletam mel, castanha e
trabalham no plantio das roças.
Sem dúvida, a presença do garimpo nas terras dos Cinta Larga é o que, de fato,
atualmente movimenta à economia local, propiciando o aparecimento de um
grupo de chefes com acesso aos principais bens ocidentais, obtidos em troca do
diamante explorado pelos garimpeiros.
CULTURA MATERIAL
O artesanato indigena inclui confecção de cestos, arcos, flechas, colares de coco
de tucum, pulseiras também de coco e de dentes de macaco, enfeites plumários
para a cabeça e braços, redes de dormir, adornos de palha ou de pele de onça,
flautas, pilão, fuso, furadores, adorno de resina para o lábio e outros ornamentos
menores.
Para a guerra, os Cinta Larga pintam-se de jenipapo (wésoa), com motivos
animais ou vegetais e, em tempos passados, cortavam os cabelos muito rentes.
Usavam seus cocares de penas de gavião (katpé), grossos colares de contas
(bak'ri) no pescoço e cruzados no peito (nakósapiap) e.as cintas típicas
(zalâpiáp), confeccionadas de entrecasca da árvore tauari (wébép). Enfeitavam-
se ainda com palhas de buriti (webay) enroladas nos braços e nas pernas. Suas
armas são o arco e flechas e o tacape, utilizados em situações específicas.
Os arcos (matpé), de seção oval, medem cerca de 2 metros, e são fabricados do
caule da pupunheira (jobát). As flechas (jáp), em média com 1,80 metros,
consistem de uma haste de taquara onde se encaixa uma ponta com formato de
faca, de um tipo de taboca, e, na extremidade inferior, aletas de penas de
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gavião ou mutum. Os arcos são resistentes e exigem do arqueiro treino e força
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física. Há flechas de vários tipos, para aves, macacos, animais de grande porte e
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pesca, mas sempre elaboradas caprichosamente. Algumas, com parte da haste
feita de madeira (ipép), dentada e adornadas com trançados de pêlos de caitetu
(Jdpsik), com padrões losangulares. O tacape (sókd) é semelhante a uma espada
curta, com um metro de comprimento, de cerne de madeira muito dura, preta
ou vermelha, e o cabo ornamentado com penas vermelhas e amarelas,
O tacape, substituído hoje pelo terçado (facão), servia para as investidas
repentinas. ou dissimutadas. Se, por acaso, discutiam com um visitante
(akwesotá- “falar ruim”, dizem os Cinta-Larga) devido ao “ciúme de mulher” ou
outro motivo, e resolviam matá-lo, aproximavam-se com o tacape escondido nas
costas, e quando a oportunidade surgia, batiam na nuca do adversário e, ao cair,
cravaram-no em seu peito. Este gênero de homicídio era muito frequente,
originando hostilidades constantes entre os vários grupos.
Ainda dentre as técnicas guerreiras, os Cinta Larga têm alguns venenos para
passar nos olhos dos contrários, cegando-os temporariamente. Mórat é o termo
geral para classificá-los, assim como são denominados os “remédios para caça”.
Destes mórat para guerra, é possível destacar o bébésirik (“couro de porco”) e o
wásakoroyáp (“ventre de anta”), ambos extraídos de casca de árvores.
Conhecem também outros venenos (pósot- “coisa ruim”) poderosos, que podem
ser adicionados à comida de seus desafetos, provocando-lhes a morte. Esta
técnica, todavia, é praticamente restrita ao uso entre os comensais, os que
partilham um mesmo espaço social. E mais, é uma forma de homicídio associada
às mulheres, não apenas em razão de uma metonímia alimentar, também por
tratar-se do único recurso mortífero a que elas têm acesso - e de que se servem
para eliminar rivais ou cônjuges indesejados -, ainda que não lhes seja exclusivo.
Como as plantas muitas vezes são usadas como arma de vingança, é importante
lembrar que acusações de feitiçaria são constantes entre os Cinta Larga.
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Acusações mútuas são responsáveis pelas agressões entre índios, e, caso ocorra os =
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mortes, inicia-se uma série de retaliações e expedições guerreiras. Alguns 5º g==== 5
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venenos são usados contra as mulheres: os que causam hemorragia mortal, os 883
que causam aborto e outros sua morte. Para ser usado contra qualquer pessoa há
o Po sut, que misturado à comida faz com que se emagreça progressivamente até
a morte.
O artesanato indígena inclui confecção de cestos, arcos, flechas, colares de coco
de tucum, pulseiras também de coco e de dentes de macaco, enfeites plumários
para a cabeça e braços, redes de dormir, adornos de palha ou de pele de onça,
flautas, pilão, fuso, furadores, adorno de resina para o lábio e outros ornamentos
menores.
Para a guerra, os Cinta Larga pintam-se de jenipapo (wésoa), com motivos
animais ou vegetais e, em tempos passados, cortavam os cabelos muito rentes,
Usavam seus cocares de penas de gavião (katpé), grossos colares de contas
(bak'r7) no pescoço e cruzados no peito (nakósapiap) e as cintas típicas
(zalâpiáp), confeccionadas de entrecasca da árvore tauari (wébép). Enfeitavam-
se ainda com palhas de buriti (Wébay) enroladas nos braços e nas pernas. Suas
armas são o arco e flechas e o tacape, utilizados em situações específicas.
Os arcos (matpé), de seção oval, medem cerca de 2 metros, e são fabricados do
caule da pupunheira (jobdt). As flechas (jdp), em média com 1,80 metros,
consistem de uma haste de taquara onde se encaixa uma ponta com formato de
faca, de um tipo de taboca, e, na extremidade inferior, aletas de penas de
gavião ou mutum. Os arcos são resistentes e exigem do arqueiro treino e força
física. Há flechas de vários tipos, para aves, macacos, animais de grande porte e
pesca, mas sempre elaboradas caprichosamente. Algumas, com parte da haste
feita de madeira (ipép), dentada e adornadas com trançados de pêlos de caitetu
(dpsik), com padrões losangulares. O tacape (sóká) é semelhante a uma espada
curta, com um metro de comprimento, de cerne de madeira muito dura, preta
ou vermelha, e o cabo ornamentado com penas vermelhas e amarelas.
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(akwesotá- “falar ruim”, dizem os Cinta-Larga) devido ao “ciúme de mulher” ou $8EE5
outro motivo, e resolviam matá-lo, aproximavam-se com o tacape escondido nas
costas, e quando a oportunidade surgia, batiam na nuca do adversário e, ao cair,
cravaram-no em seu peito. Este gênero de homicídio era muito frequente,
originando hostilidades constantes entre os vários grupos.
Ainda dentre as técnicas guerreiras, os Cinta Larga têm alguns venenos para
passar nos olhos dos contrários, cegando-os temporariamente. Mórat é o termo
geral para classificá-los, assim como são denominados os “remédios para caça”,
Destes mórat para guerra, é possível destacar o bébésirik (“couro de porco”) e o
wásakoroyáp (“ventre de anta”), ambos extraídos de casca de árvores.
Conhecem também outros venenos (pósot- “coisa ruim”) poderosos, que podem
ser adicioriados à comida de seus desafetos, provocando-lhes a morte. Esta
técnica, todavia, é praticamente restrita ao uso entre os comensais, os que
partilham um mesmo espaço social. E mais, é uma forma de homicídio associada
às mulheres, não apenas em razão de uma metonímia alimentar, também por
tratar-se do único recurso mortífero a que elas têm acesso - e de que se servem
para eliminar rivais ou cônjuges indesejados -, ainda que não lhes seja exclusivo.
Como as plantas muitas vezes são usadas como arma de vingança, é importante
lembrar que acusações de feitiçaria são constantes entre os Cinta Larga.
Acusações mútuas são responsáveis pelas agressões entre índios, e, caso ocorra
mortes, inicia-se uma série de retaliações e expedições. guerreiras. Atguns
venenos são usados contra as mulheres: os que causam hemorragia mortal, os
que causam aborto e outros sua morte. Para ser usado contra qualquer pessoa há
o Po sut, que misturado à comida faz com que se emagreça progressivamente até
a morte.
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O artesanato indigena inclui confecção de cestos, arcos, flechas, colares de coco
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de tucum, putseiras também de coco e de dentes de macaco, enfeites plumários
para a cabeça e braços, redes de dormir, adornos de palha ou de pele de onça,
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flautas, pilão, fuso, furadores, adorno de resina para o lábio e outros ornamentos
menores.
Para a. guerra, os Cinta Larga pintam-se de jenipapo (wésoa), com motivos
animais ou vegetais e, em tempos passados, cortavam"os cabelos muito rentes.
Usavam seus cocares de penas de gavião (katpé), grossos colares de contas
(bak “ri) no pescoço e cruzados no peito (nakósapiap) e as cintas típicas
(zalâpiáp), confeccionadas de entrecasca da árvore tauari (wébép). Enfeitavam-
se ainda com palhas de buriti (wébay) enrotadas nos braços e nas pernas. Suas
armas são o arco e flechas e o tacape, utilizados em situações específicas.
Os arcos (matpé), de seção oval, medem cerca de 2 metros, e são fabricados do
caule da pupunheira (jobát). As flechas (jáp), em média com 1,80 metros,
consistem de uma haste de taquara onde se encaixa uma ponta com formato de
faca, de um tipo de taboca, e, na extremidade inferior, aletas de penas de
gavião ou mutum. Os arcos são resistentes e exigem do arqueiro treino e força
física. Há flechas de vários tipos, para aves, macacos, animais de grande porte e
pesca, mas sempre elaboradas caprichosamente. Algumas, com parte da haste
feita de madeira (ipép), dentada e adornadas com trançados de pêlos de caitetu
(Jdpsfk), com padrões losangulares. O tacape (sókd) é semelhante a uma espada
curta, com um metro de comprimento, de cerne de madeira muito dura, preta
ou vermelha, e o cabo ornamentado com penas vermelhas e amarelas.
O tacape, substituído hoje pelo terçado (facão), servia para as investidas
repentinas ou dissimuladas. Se, por acaso, discutiam com um visitante
(akwesotá- “falar ruim”, dizem os Cinta-Larga) devido ao “ciúme de mulher” ou
outro motivo, e resolviam matá-lo, aproximavam-se com o tacape escondido nas
costas, e quando a oportunidade surgia, batiam na nuca do adversário e, ao cair,
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cravaram-no em seu peito. Este gênero de homicídio era muito frequente,
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originando hostilidades constantes entre os vários grupos.
Ainda dentre as técnicas guerreiras, os Cinta Larga têm alguns venenos para
passar nos olhos dos contrários, cegando-os temporariamente. Mórat é o termo
geral para classificá-los, assim como são denominados os “remédios para caça”.
Destes mórat para guerra, é possível destacar o bébésirik (“couro de porco”) e o
wásakoroyáp (“ventre de anta”), ambos extraídos de casca de árvores.
Conhecem também outros venenos (pósot- “coisa ruim”) poderosos, que podem
ser adicionados à comida de seus desafetos, provocando-lhes a morte. Esta
técnica, todavia, é praticamente restrita ao uso entre os comensais, os que
partilham um mesmo espaço social. E mais, é uma forma de homicídio associada
às mulheres, não apenas em razão de uma metonímia alimentar, também por
tratar-se do único recurso mortífero a que etas têm acesso - e de que se servem
para eliminar rivais ou cônjuges indesejados -, ainda que não lhes seja exclusivo.
Como as plantas muitas vezes são usadas como arma de vingança, é importante
lembrar que acusações de feitiçaria são constantes entre os Cinta Larga.
Acusações mútuas são responsáveis pelas agressões entre índios, e, caso ocorra
mortes, inicia-se uma série de retaliações e expedições guerreiras. Alguns
venenos são usados contra as mulheres: os que causam hemorragia mortal, os
que causam aborto e outros sua morte. Para ser usado contra qualquer pessoa há
o Po sut, que misturado à comida faz com que se emagreça progressivamente até
a morte.
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Atividades
1 - Viabilizar as ações de gestão ambiental e territorial:
Através do apoio as viagens de fiscalização do território, principalmente
dos pontos mais suscetíveis a invasões. Prevemos no programa viagens de
monitoramento percorrendo todo território, não obstante a atuação estar atenta
para ocorrência de casos emergenciais (invasões), pois os Cinta Larga já sofreram
ao longo dos anos perdas irreparáveis em seu território, como degradação
ambiental provocada pela ilicitude de madeireiros e garimpeiros, bem como o
assédio rotineiro desses dilapidadores naturais da região.
O monitoramento do território nas Terras Indígenas Serra Morena e Parque
Indigena Aripuanã é feita sempre por uma equipe indígena, com apoio da equipe
da FUNAI, de forma sistemática nas áreas limitrofes do território indígena, seja
nos limites naturais ou linhas secas, especialmente nas regiões mais ameaçadas
de invasão,
Os Cinta Larga são exímios conhecedores de seu território. A atividade de
fiscalização permite um constante exercício de discussão, conscientização da
importância da preservação e da defesa da Terra. Nesse sentido, a rotatividade
(sempre definida por eles) dos grupos dos homens nas viagens, garante a
participação ampla dos Cinta Larga neste processo. Também têm podido
aprender, através de alguns referenciais de nossa sociedade, os diferentes usos
da terra e o modo de produção (no entorno de sua área) e suas consequências.
vão percebendo assim aspectos da dinâmica na qual está estruturada a nossa
sociedade, como o latifúndio, a exploração do trabalho, etc. Além disso, os Cinta
Larga já dominam o uso de mapas e de tecnologias como GPS, podem contribuir
de forma positiva na realização dos trabalhos de fiscalização.
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36
2- Apoio ao extrativismo sustentável da castanha
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Deve - se com essa ação apoiar os Cinta Larga no extrativismo sustentável
da Castanha - do - Brasil, objetivando a utilização da referida ação como gestão
estratégica do território indigena, integrando - a com o monitoramento e
vigilância, bem como, a reocupação territorial de forma a garantir a segurança
sócio - econômica, promovendo uma melhor qualidade de vida por meio da
proteção territorial com a subsistência alimentar e geração de renda.
3 - Aquisição de combustíveis
O conjunto compreendido pelas Terras Indígenas: Serra
Morena e Parque Indígena Aripuanã se apresentam de forma preservada e
intacta. Os Cinta Larga sempre tiveram sua consciência voltada para a
preservação dos recursos naturais em seu território, sabendo - se que estes são
de fundamental importância para as futuras gerações.
Ante o exposto, relata - se que o referido território se localiza
numa região onde a economia tocal se baseia na indústria madeireira e na
extração de minérios, realidade essa, causadora de "preocupações quanto ao
aliciamento e invasão de suas terras.
ê As aquisições dos citados combustíveis objetivam o apoio às
ações de gestão ambiental e territorial, envolvendo o extrativismo sustentável da
castanha, vigilância e fiscalização periódica em conjunto com a FUNAI, IBAMA e
parceiros em suas terras indígenas com o monitoramento ambiental no propósito
de se consolidar a manutenção e preservação dos recursos naturais por meio da
autogestão sócio - ambiental indígena.
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ORÇAMENTO DO PROJETO - 2011 EEE
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tem Natureza da despesa Valor R$
1 Material de consumo
1.1. | Combustíveis e lubrificantes gerais 15.000,00
1.2 | Aquisição de materiais de construção 25.000,00
Total 1 40.000,00 |
2 Serviços de Terceiros o
2.1 [Ajuda de Custo - mão - de - obra indígena 35.000,00
Total 2 35.000,00
TOTAL GERAL 75.000,00
Contrapartida
Como contrapartida, os Cinta Larga entram com mão-de-obra nos
trabalhos de monitoramento territorial e no apoio às ações do extrativismo
sustentável da castanha. A equipe da Coordenação Regional da FUNAI - Juína -
MT junto a Associação do Povo Indígena Cinta Larga Eterepuya coordenará a
execução financeira e administração do projeto, bem como na assessoria às
atividades previstas, principalmente, na organização para o desenvolvimento do
programa, disponibitizando seus recursos humanos e sua infra-estrutura para esse
fim.
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38
Cronograma
A duração do Programa de Proteção Ambiental, Cultural e Econômica da
Etnia Cinta Larga será de seis meses, com início previsto em Abril de 2017 e
término previsto em Setembro de 2017.
Planejamento das ações em conjunto | X
com os Cinta Larga Ea
Ações de vigilância e monitoramento xixixixixfx |
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Extrativismo da Castanha XIXIXIX|[XI|X
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Melhorias e reformas das Casas XIX[XIX|/X|X
Indigenas
[— +
Avaliação final e prestação de contas X
Cronograma de descentralização dos recursos:
Levando - se em consideração o cronograma de desenvolvimento das
atividades previstas, os recursos deverão ser descentralizados em 02 (duas)
parcelas, sendo a 1º (primeira) de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais) no
mês de Maio de 2017 e a 22 (segunda) de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) no mês
de Agosto de 2017, por meio de um convênio firmado entre a Prefeitura
Municipal de Juína - MT e a Associação do Povo Indigena Cinta Larga Eterepuya
com a assessoria e acompanhamento técnico e financeiro da Coordenação
Regional da FUNAI - Juína - MT.
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Câmara Municipal de Juína - MT
PROTOCOLO GERAL 0000140
Data: 06/03/2017 Horário: 09:38
Legislativo - PLO 13/2017
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ANEXO:
MEMÓRIA DE CÁLCULO DO PROGRAMA
Memória de Cálculo Detalhada
1º Parcela —- Maio /2017
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1. Yaõkwa — Ritual
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10.000,00
Mão-de-obra indígena 05 indígenas
20.000,00
Material de construção Diversos Diversos 15.000,00
[TOTAL -1º PARCELA | 45.000,00
2º Parcela — Agosto / 2017
ERA O
1. Yaúkwa — Ritual /
tápoio
+
LOleo diesel 1.250 Lts 4,00 5.000,00 |
Mão-de-obra indígena 05 indígenas 3.000,00 15.000,00
Material de Construção Diversos Diversos 10.000,00 |
30.000,00
TOTAL -2ºPARCELA |