PROJETO DE LEI Nº
DISPÕE SOBRE DENOMINAÇÃO DE LOGRADOURO PÚBLICO.
O Povo do Município de Varginha, Estado de Minas Gerais, por seus representantes na Câmara Municipal,
APROVA:
Art. 1º A atual Avenida Perimetral passará a denominar-se:
AVENIDA MÁRIO DE OLIVEIRA CÂNDIDO
Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Sala das Sessões da Câmara Municipal de Varginha,
em 11 de setembro de 2024.
EDUARDO BENEDITO OTTONI FILHO – DUDU OTTONI
Vereador
JUSTIFICATIVA
Em um sítio de pequeno porte, apelidado de "Figueira", na cidade de Varginha–MG, foi o início de uma grande história. Antônio Francisco Cândido e Ana Benevides de Oliveira casaram-se com o sonho de constituir uma linda família. Tiveram quatro filhos, três meninos e uma menina. O caçula, Mário de Oliveira Cândido, veio ao mundo em 28 de março de 1930.
Quando Mário tinha 2 anos apenas, uma doença surgiu, similar a pandemia de 2020. Na época, chamavam de "crupe" e era uma doença que causava a morte de muitas pessoas. Para a tristeza do casal, em uma mesma semana, os seus 3 filhos mais velhos contraíram a doença e faleceram. Perderam os seus tesouros ainda pequenos, e ficaram sem chão. Até então, somente o caçula, Mário, estava bem.
Porém, dias depois da tragédia, Mário ficou doente e precisou ser levado ao médico. O médico, disse que o casal levou o filho na hora certa, pois o pequeno estava muito doente. A mãe, já muito abalada com o trauma da perda dos três filhos, entrou em choque. Depois disso, não conseguiu pegar mais o menino no colo, por conta do grande trauma. Ao irem para casa, estava muito deprimida e com medo de perder mais um filho.
Até que um dia, quando menos esperava, ouviu-se um tiro - era a mãe, que estando ainda grávida de outra criança, havia atirado em sua própria barriga. A família imediatamente levou Ana para o hospital, porém ela se foi.
O pai, Antônio, com muita dor e dificuldade para lidar com a morte dos filhos e da mulher, pediu ajuda da cunhada para cuidar de Mário. A tia de Mário, se tornou uma mãe para ele, o enchendo de carinho, amor e cuidado, tornando seus próprios filhos em irmãos para Mário.
Quando Mário estava com 8 anos, seu pai se casou novamente, levando Mário para morar com ele e a madrasta. Assim, esse pequeno garotinho, teve seus irmãos por parte de pai, sendo 2 homens e 4 mulheres. Ele os amou muito e vice-versa, todos se consideravam muito.
Desde cedo, Mário trabalhou muito para ajudar seu pai a criar seus irmãos. Com apenas 13 anos já saía de casa às 4 horas da madrugada e trabalhava com seu pai e tios, capinando as plantações no verão e fazendo tijolos no inverno, ganhando o mesmo que eles.
Quando completou seus 28 anos, resolveu se casar e constituir sua família. No dia 13 de fevereiro de 1958, Mário se casou com Victar Valim de Oliveira e desta união nasceram seus 3 filhos: Mauri, Vilmar e Meire.
Com seu pai e tios, Mário trabalhou muito e juntos construíram uma casa em uma área que sua esposa havia herdado do pai. Lá, trabalhou muito e criou seus filhos, ainda sempre muito preocupado em também ajudar a criar suas irmãs.
Quando seu irmão mais velho, José, decidiu vir para a cidade procurar emprego e deixar de trabalhar na roça com seu pai, Mário ficou muito preocupado, não querendo deixar José vir e deixar seu pai sozinho para criar as irmãs. Pediu ao irmão para não fazer isso, mas ele insistia. Daí então, Mário teve a grande ideia: montar uma pedreira! Nas próprias terras do pai, havia uma rocha que poderia ser explorada.
Com essa ideia, falou para o irmão que deveriam começar a quebrar a pedra que tinha ali e tentar vender. Isso fez, pensando em simplesmente manter o irmão próximo do pai e das irmãs. Mas, a ideia encontrou resistência. Muitos não acreditavam nele, achando a ideia um absurdo e que nunca iria dar certo. Apesar disso, Mário insistia e tinha fé, acreditava que o negócio daria certo sim.
O início desse novo negócio seria um sacrifício significativo para Mário, que já tinha o próprio sítio, pequeno, herdado pela esposa, onde morava, para cuidar. Lá, ele levantava todos os dias de madrugada para cuidar de suas vacas, porcos e adiantava todo o serviço para que sua esposa fizesse o restante durante o dia. Apesar disso, Mário pegava sua bicicleta e ia para a "Figueira", terras de seu pai, cuidar dessa pequena firma que se iniciava no ano de 1962.
Com a graça de Deus, Mário, forte e decisivo, foi atrás de seu sonho. Resolveu ir atrás dos primos para que se juntassem a ele, mas a resposta era sempre a mesma: “você está ficando louco? Isso não vai dar certo”. Mas ele continuou insistindo com garra e coragem e, ao final, prosperou.
A firma, na qual ninguém acreditava, deu certo. Hoje essa pequena empresa, que iniciou com muita simplicidade, é considerada umas das maiores empresas de Varginha. No início, teve o nome de "Pedreira Santo Antônio" e hoje é chamada de "Grupo Pedreira Santo Antônio", atendendo Varginha e região, empregando diversas famílias e ofertando para as famílias de seus sócios, irmãos e primos, uma vida de conforto.
Para Mário, tudo foi muito gratificante. Ficava muito feliz e agradecia sempre a Deus por ter lhe dado saúde, força, inteligência e determinação para correr atrás de seu sonho e transformá-lo em realidade. Uma realidade que permanecerá por muitas gerações.
Mário enfrentou desafios com fé e determinação, deixando um legado marcante de perseverança e inspiração para todos nós. Ele faleceu no dia 28 de junho de 2020, nesta cidade, deixando muitos amigos que fez durante sua trajetória de vida e, agora, ficaram as saudades e as boas lembranças de uma pessoa muito especial. Seu exemplo de trabalho incansável continuará a nos inspirar, e seu legado continuará iluminando o caminho daqueles que o guardam no coração.
Sala das Sessões da Câmara Municipal de Varginha,
em 19 de junho de 2024.
EDUARDO BENEDITO OTTONI FILHO – DUDU OTTONI
Vereador