| Tipo | Pronunciamento |
|---|---|
| Número / Ano | 1 / 2026 |
| Date | 2026-05-20 |
| Ementa | Quando o cidadão deixa de pensar e passa a servir à polarização. |
| native_id | 5883 |
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Pronunciamento n. /2026 Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Varginha, Senhores vereadores, Senhores e senhoras. "Maldito o Homem que Confia em Outro Homem". Jeremias 17,5 diz: "Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor". A advertência não é contra a confiança natural entre pessoas. É contra a idolatria. É contra transformar homem de carne e osso em salvador da pátria. E o Brasil, hoje, adoece por essa confiança cega. A irracionalidade dos extremos Colocamos Lula e Bolsonaro em altares opostos. Um lado grita "mito" e fecha os olhos pra erro, contradição e limite legal. O outro grita "pai dos pobres" e ignora gasto público, aliança contraditória e promessa não cumprida. Os dois viraram mais que políticos. Viraram dogma. E todo dogma político exige o mesmo preço: a sua liberdade de pensar. A direita que confia no homem: Transforma a liderança em messias. Se ele erra, "é estratégia contra o sistema". Se recua, "é jogada de mestre". Se perde, "foi fraude". O homem deixa de ser fiscalizado e passa a ser adorado. O resultado? Um país que troca projeto por briga e solução por slogans. A esquerda que confia no homem: Transforma a liderança em redentor. Se é investigado, "é perseguição política". Se aumenta imposto, "é justiça social". Se se alia com adversário histórico, "é governabilidade". O homem deixa de ser cobrado e passa a ser blindado. O resultado? Um país que troca resultado por narrativa e gestão por discurso. Por que isso é maldição? Porque quando você põe a confiança no homem, três coisas desabam: Desaba a instituição: Câmara, Senado, Prefeitura, Tribunal. Tudo vira campo de torcida. Se a decisão agrada "meu lado", é democracia. Se desagrada, é ditadura. Desaba o debate: Não se discute reforma tributária, escola técnica, saúde básica. Se discute pessoa. Você não é contra uma medida, você é "fascista". Você não critica um programa, você é "comunista". A irracionalidade cancela a razão. Desaba o serviço público: Enquanto se briga por homem, a fila do SUS continua igual. A merenda escolar atrasa. A obra de saneamento para. O cidadão real fica refém de uma guerra que não é dele, esperando gestor, não ídolo. A saída não é o centro. É sair do pedestal. "Maldito" aqui não é praga. É consequência lógica. Homem que confia em homem vive de frustração em frustração, porque todo homem é falho. Presidente, governador, vereador. A confiança deve estar na Constituição, no plano de governo, no indicador que não muda com eleição. Confiar em Lula ou Bolsonaro é acreditar que um CPF resolve o problema de 210 milhões de CPFs. Isso não é política. É superstição. O Brasil não precisa de mito nem de pai. Precisa de cidadão adulto. Adulto que fiscaliza quem elegeu. Que cobra o "seu lado" com mais rigor que cobra o outro. Que troca paixão por contrato claro: "Eu te voto pra entregar escola, emprego e estrada. Se não entregar, eu te tiro em 4 anos". Enquanto escolhermos entre dois homens pra amar ou odiar, a maldição se renova a cada eleição. E a conta fica pro povo pagar. Confiar em homem é abdicar de ser cidadão. E cidadão que abdica, vira massa de manobra. Seja de direita, seja de esquerda. Prof. Dr. João Victor Mendes de Gomes e Mendonça - Mestre e Doutor em Direito Constitucional - OAB/MG 95069 14/05/26 Sala das Sessões da Câmara Municipal de Varginha, em 20 de maio de 2026. Zilda Silva Vereadora