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materia nº 2/2026

Tipo Projeto de lei do Legislativo
Número / Ano 2 / 2026
Date 2026-05-18
EmentaDISPÕE SOBRE A DENOMINAÇÃO DA ESTRADA DA POUSADA PARQUE DAS GABIROBAS COMO “ESTRADA ANITA DIAS MACHADO” E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.
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DateStatusTurnoTexto
2026-05-18 APRESENTAÇÃO E ENCAMINHAMENTO AS COMISSÕES.

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PROJETO DE LEI DO LEGISLATIVO N.02 /2026





DISPÕE SOBRE A DENOMINAÇÃO DA ESTRADA DA POUSADA PARQUE DAS GABIROBAS COMO “ESTRADA ANITA DIAS MACHADO” E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.





A CÂMARA MUNICIPAL DE RONCADOR, ESTADO DO PARANÁ, APROVOU, e eu, MARILIA PEROTTA BENTO GONÇALVES, Prefeita Municipal, no uso das atribuições, SANCIONO a seguinte lei:



Art. 1º - Fica denominado de “ESTRADA ANITA DIAS MACHADO” a Estrada que leva a Pousada Parque das Gabirobas, localizada no Fuso 22J Inicial 369158.34 m E 7279404.95 m S, e Fuso 22J Final 366959.15 m E 7276082.42 m S, no Município de Roncador - Estado do Paraná.



Art.2º - Ficará o Executivo Municipal responsável por tomar as providências legais para a publicação da Lei, e colocação da Placa na Estrada.



Art.3º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.





Roncador, 18 de maio de 2026.







Amadeu Elizio Santos

Vereador



Justificativa



Estabelece o art. artigo 17, inciso XXIX, da Lei Orgânica Municipal, que compete a Câmara Municipal:



XXIX- dar denominação a próprios e logradouros públicos.



Considerando o que determina a LOM, os vereadores que esta subscrevem resolveram propor o presente projeto de lei, a fim de nomear de Anita Dias Machado a estrada que liga Roncador a Pousada Parque das Gabirobas.



Anita Dias Machado  

1º de abril de 1951 – 21 de abril de 2026

Anita Dias Machado nasceu em 1º de abril de 1951, na comunidade Rio Claro, em Araruna. Filha de Sr. Emílio José Dias e Dona Ana Vitória de Jesus, era a segunda de 8 irmãos. Desde pequena já mostrava a força que marcaria sua vida inteira.



Com apenas 13 anos, na década de 1960, a vida a levou para os braços do Sr. Sadi e Dona Iracema Portes, seus padrinhos de Roncador. E foi ali que ela ganhou mais que um teto: ganhou pai, mãe e um amor que carregou como se fosse de sangue. 



Ela tinha um dom. Um carisma que não se aprende, um altruísmo que nascia do peito. Chegava perto das pessoas com uma amorosidade que desarmava qualquer tristeza. Caráter, sinceridade, respeito e verdade eram a linguagem natural dela. Mesmo com a coincidência de ter nascido no folclórico dia da mentira, odiava falsidade. E mentira?! Nem por brincadeira.

Em 1973, se casa com Evandro Jaury Machado, o Jaury Nunes, de família tradicional de Roncador. E ali começou a formar sua própria casa.



Foi mãe quatro vezes. Em 1974, de José Evandro que perdeu ainda no parto. Uma dor que só mãe conhece. 1975 veio Leandra Patrícia, em 1980, chegou Sebastião Matins Machado Neto. E em 1983, quando o chão já tinha sumido sob seus pés, nasceu Inajara Dias Machado, 4 meses depois de ficar viúva, para voltar a ter brilho em seus olhos. Porque em 25 de novembro de 1982, a vida virou do avesso. Jaury se foi. E Anita ficou. Sozinha, grávida, com dois pequenos de 7 e 2 anos agarrados na saia. Não teve tempo pra melancolia. Vestiu o papel de pai e mãe, e foi à luta.



Formada no Magistério, voltou a dar aula no Colégio Estadual General Carneiro. Mas o destino tinha outros planos. Reencontrou o amigo Mariano Almeida Machado e foi trabalhar na Casas Brasil. E foi ali, entre prateleiras e balcões, que fortificou a parceria que seria levada pro resto da vida. Amigos, lado a lado por mais de 50 anos.



A Casas Brasil a levou pra Moreira Sales, Janiópolis, Iretama, Campo Mourão. E em cada cidade, Anita deixava um pedaço de si. Não vendia só mercadoria: vendia carinho. Cliente virava amigo, funcionário virava compadre, e cada dia rendia uma história pra contar.



Nos anos 2000, seu Mariano, como sempre o chamou respeitosamente, foi viver um sonho. Ali onde era um lugar de refúgio particular, virou um lugar de refúgio a tantos outros. E os dois “Machado” que o coração uniu, deixaram o varejo. Nasceu a Pousada Parque das Gabirobas. Mais um sonho para viver com e pelo amigo.



Ela não era a dona no papel, mas era a dona de todos os corações que passavam por lá. Virou a "alma" da pousada. Tanto que ninguém conseguia dizer “Pousada” sem pensar “Anita”. E ninguém dizia “Anita” sem lembrar da Pousada. 

Foi ali que ela terminou de ver os filhos voarem, os netos chegarem, os casamentos acontecerem. E nunca, dali, quis sair. Porque a pousada não era trabalho. Era vida.



De “Nitinha do Jaury”, a baixinha que conquistava gigantes, ela virou a “Nita” de todo mundo:

"Nita" da Casa Brasil, "Nita" do Comprebem, "Nita" do Mercado, "Nita" da Pousada, "Nita" do Parque das Gabirobas.



Sempre correndo, acelerada e inquieta nos afazeres. Nos tempos de hoje diríamos que extremamente hiperativa. Parava para ouvir desde o mais simples sitiante até o doutor mais renomado, e a conversa fluía com naturalidade. Porque Anita não sabia tratar ninguém diferente. Sempre quis ter tempo para todo mundo e ouvido para todo problema.



Era discreta com as próprias lutas, mas uma guerreira nas lutas dos outros. Se tinha alguém precisando, lá estava ela, na frente. Sendo pelos filhos, uma leoa capaz de arrancar a própria carne para cada um. Por toda vida segurou suas mãos. Abdicou de tudo por eles e pelo amigo.



Mulher de fé inabalável. Apaixonada por Nossa Senhora Aparecida, ensinou o caminho aos filhos e serviu também na comunidade da Igreja com amor e fé expectante.



Nesses 30 anos de pousada, é incapaz de contar os quilômetros que fez na estrada Pousada - Roncador, Roncador - Pousada. Ou quantas Ave-Marias rezou em cada viagem, por cada pedido que alguém lhe confiou. Só Deus e ela sabem.

Os filhos já eram acostumados com as frases: “A Anita vai morrer naquela pousada”, ou, “Se tirarem a Anita de lá, ela morre”. Entenderam há muito tempo que isso seria uma realidade.



Ela partiu do jeito Anita de ser: rápida, inteira, fazendo o sinal da cruz antes de fechar os olhos, sabendo que estava pronta se o Pai a quisesse.

Ali, do lugar que amava, nem para desfalecer quis sair. E nos braços do amigo que tanto ajudou e admirava, se entregou.



Madrugada de 21 de abril de 2026, aos 75 anos, o silêncio toma conta da pousada. Os pássaros não cantam, as flores murcham, o sol fica tímido. Pois a estrela da Pousada Parque das Gabirobas perde sua luz de brilho intenso.

A profecia que alguém fez se cumpriu. Deus a chamou de volta. E ela foi, sem sair da Pousada.



Anita não morreu. Virou saudade, virou história, virou exemplo. Deixou um legado que não cabe em palavras: ensinou que amorosidade muda o mundo, que simplicidade é grandeza, e que uma vida só vale a pena se for vivida fazendo o bem para os outros.



Você sabe a importância da missa de 7º dia do falecimento para nos católicos? O momento mais importante pós morte para o sufrágio de uma alma, onde toda uma comunidade pede a Deus que tenha misericórdia daquela alma para que ela descanse em paz e alcança a Luz Divina!



Pela alma de Anita, foram rezadas missas em:

Roncador (Paróquias de São Pedro e de Nicolau) Campo Mourão (Cohapar e Barreiro das Frutas), Cascavel (2), Maringá, Corbélia, Cafelândia, Sapezal – MT, Sinop – MT, Campo Grande – MS e EUA. Tudo do que falamos acima, poderíamos ter reduzido a isso, para mostrar quem ela foi. 



Hoje ela descansa no Cemitério Municipal de Roncador, bem na beira da estrada que foi sua por quase 30 anos. Agora junto a Nossa Senhora, ela intercede. Porque Anita continua sendo a “Nita” de todos nós. Agora lá de cima, em paz.



O Autor.

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