MOÇÃO DE APLAUSOS Nº102/2016
AUTORIA: VEREADOR DIONARDO MENDES DA CONCEIÇÃO.
O Vereador DIONARDO MENDES DA CONCEIÇÃO, abaixo subscrito, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo Regimento Interno, vem perante o Presidente da Mesa, ouvido o soberano Plenário, apresentar MOÇÃO DE APLAUSOS à Doutora ANA CLÁUDIA PEREIRA TERÇAS - Professora da UNEMAT - idealizadora e Coordenadora local da pesquisa "Situação de Saúde dos Paresí", desenvolvida na Comunidade Indígena Paresí, cujo objetivo foi o de conhecer a situação de saúde dessa população, em especial com relação a hantavirose, o que já está possibilitando a recomendação e adoção de medidas de prevenção e controle, extensiva aos representantes das entidades parceiras (Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto Oswaldo Cruz, Universidade do Estado de Mato Grosso, Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, Escola Nacional de Saúde Pública e Distrito Sanitário Especial Indígena de Cuiabá-MT), conforme abaixo elencado:
Doutora ANA CLÁUDIA PEREIRA TERÇAS
ENFERMEIRA, DOUTORA EM MEDICINA TROPICAL, MESTRE EM SAÚDE COLETIVA, DOCENTE EFETIVA DA UNEMAT E COORDENADORA LOCAL DO PROJETO.
Doutora MARINA ATANAKA
ENFERMEIRA, DOUTORA EM SAÚDE COLETIVA, MESTRE EM SAÚDE COLETIVA, DOCENTE ADJUNTA DA UFMT E COORDENADORA GERAL DA PESQUISA.
Doutora ELBA REGINA SAMPAIO DE LEMOS
MÉDICA INFECTOLOGISTA, DOUTORA EM MEDICINA TROPICAL, MESTRE EM MEDICINA TROPICAL, PESQUISADORA DA FIOCRUZ, CHEFE DO LABORATÓRIO DE HANTAVIROSES E RICKETTSIOSES DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ.
M. Sc. VAGNER FERREIRA DO NASCIMENTO
ENFERMEIRO, DOUTORANDO EM BIOÉTICA, DOCENTE EFETIVO DA UNEMAT.
M. Sc. THALISE YURI HATTORI
ENFERMEIRA, MESTRE EM CIÊNCIAS DA SAÚDE, DOCENTE EFETIVA DA UNEMAT.
M. Sc. JOSUÉ SOUZA GLERIANO
ENFERMEIRO, MESTRE EM SAÚDE PÚBLICA, DOCENTE EFETIVO DA UNEMAT.
LEONIR EVANDRO ZENAZOKENAE
ACADÊMICO DE ENFERMAGEM UNEMAT.
ARIADNE CRISTINNE PEREIRA DE MOURA
ACADÊMICA DE ENFERMAGEM UNEMAT.
Esp. ALBA VALÉRIA GOMES DE MELO
BIÓLOGA, RESPONSÁVEL TÉCNICA PELA HANTAVIROSE NA SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MATO GROSSO
Esp. APARECIDO ALBERTO MARQUES RODRIGUES
SANITARISTA, RESPONSÁVEL TÉCNICA PELA HANTAVIROSE NA SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MATO GROSSO.
" Trata-se de pesquisa inédita em comunidade indígena, que demandou um longo processo para atendimento da legislação de ética, afora as várias incursões "in loco". O estudo extrapolou o seu objetivo inicial - a análise de hantavírus, diante da detecção e oportunidade do levantamento de outras patologias, além de análises do perfil nutricional, imagem corporal, níveis pressóricos, acessos aos serviços de saúde e conhecimento sobre saúde e, ainda, a observação de aspectos sociais e culturais dos Paresí, que acabarão sendo apresentados em forma de trabalhos e artigos científicos. Indubitavelmente, uma valorosa contribuição à saúde dessas populações vulneráveis, destacando-se, ainda, a importância da produção de pesquisa sobre Mato Grosso por pesquisadores mato-grossenses, possibilitando assim a autonomia da ciência e tecnologia de nosso Estado, o reconhecimento de nossos centros formadores e o investimento em novos talentos para a pesquisa."
JUSTIFICATIVA
A pesquisa foi idealizada no final de 2011 quando, ao término da dissertação de mestrado da Enf. Ana Cláudia Pereira Terças, foram relatados os primeiros casos de hantavirose em comunidades indígenas do Brasil, fato que motivou a escolha da Comunidade Paresí, que possui seu território circundado pelos municípios agrícolas responsáveis por 75% dos casos de hantavirose de Mato Grosso, ou seja, Campo Novo do Parecis, Sapezal, Tangará da Serra e Brasnorte, com destaque para Campo Novo do Parecis, um dos municípios brasileiros com o maior número de casos.
Essa pesquisa envolveu uma equipe de 17 pesquisadores/profissionais de saúde com vínculo na Universidade Federal de Mato Grosso, Universidade do Estado de Mato Grosso - Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica, Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, Instituto Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública e Distrito Sanitário Especial Indígena de Cuiabá-MT. Os alunos envolvidos no projeto são três acadêmicos de Enfermagem da UNEMAT - Campus de Tangará da Serra, sendo duas bolsistas PROBIC e um voluntário, este que além de aluno de iniciação científica é indígena da etnia Paresí. Também estão envolvidos dois alunos de mestrado e um aluno de doutorado.
As pesquisadoras realizaram uma visita até as aldeias com apoio da Prefeitura e Câmara de Vereadores de Campo Novo do Parecis e apresentaram a proposta do estudo aos caciques das nove aldeias que pertencem ao nosso município.
Após demonstração de interesse e apoio por parte da comunidade Haliti-Paresí, iniciou-se a busca de parceiros e documentações que atendessem a legislação vigente de ética em pesquisa envolvendo as comunidades indígenas, processo esse que tramitou por 28 meses nas instâncias éticas do país. A aprovação final aconteceu em outubro de 2014, e a primeira expedição para coleta de dados da população indígena ocorreu em dezembro de 2014. Em março de 2015 foi realizada expedição para coleta dos roedores silvestres dentro das terras Paresí, bem como uma segunda coleta de dados da população humana em dezembro de 2015.
O objetivo principal do estudo foi a realização da análise de hantavírus nessa comunidade, porém, a agregação de parcerias possibilitou também a análise da presença de rickettsias lato sensu, hepatites virais, HTLV, Mycobacterium tuberculose, parasitas intestinais, além de análises do perfil nutricional, imagem corporal, níveis pressóricos, acesso aos serviços de saúde e conhecimento sobre saúde.
Além dos dados sobre as condições de saúde no que diz respeito a hantavirose, os pesquisadores também puderam observar outros aspectos sociais e culturais dos Paresí que acabarão sendo apresentados em forma de trabalhos e artigos científicos. A pesquisa tem demonstrado que a soroprevalência global de hantavírus foi de 11,62% (35/301), a avaliação prospectiva de 110 amostras de soro pareadas, que foram coletadas em 2014 e 2015, possibilitou a identificação de quatro indígenas sem anticorpos anti-hantavírus da classe IgG em 2014 que soroconverteram durante o estudo.
Os pesquisadores constataram ainda durante a expedição para captura de animais silvestres realizada em março de 2015, quando capturados dois roedores silvestres - Cerradomys scotti e Calomys tener - que foram soronegativos. A Professora da Unemat, Doutora Ana Cláudia Terças explica que este achado suscita a necessidade de capturas sistemáticas na região para identificar os roedores reservatórios.
A pesquisa mostrou que as crianças das comunidades indígenas relataram ter contato com roedores silvestres em suas atividades diárias, principalmente aquelas ligadas aos brinquedos e brincadeiras. Diante desse relato os pesquisadores adoraram como estratégia de prevenção e fornecer informações sobre doenças a construção de uma cartilha educativa interativa. No material foram enfatizadas questões científicas da doença de modo simples, lúdico e informal, a fim de promover o aprendizado enquanto a criança se diverte com o conteúdo, baseado em seu cotidiano, que abrange narrativas, perguntas, atividades interativas e ilustrações coloridas.
A elaboração desta cartilha trouxe resultados significantes permitindo uma ressignificação do saber científico associado às práticas cotidianas, a percepção de suas vulnerabilidades, além do fortalecimento da língua nativa, com uma inequívoca representação social, considerando que a cartilha foi grafada em três línguas, trazendo em suas linhas situações como a limpeza da casa e brincadeiras diárias.
Ainda, é primordial que as populações expostas conheçam a doença, os roedores até então identificados, as vias de transmissão e as formas de prevenção, para que no caso de frequentar locais de risco façam o uso da máscara PFF3 e realizem desinfecção de ambientes fechados por longos períodos com solução de água com hipoclorito antes de proceder a limpeza.