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materia nº 176/2023

Tipo Indicação
Número / Ano 176 / 2023
Date 2023-09-29
Ementaindicação n° 039/2023- Indicando a CRIAÇÃO DO FUNDO MUNICIPAL DE POLÍTICAS PENAIS, nos termos do anteprojeto de lei encaminhado em anexo.
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Autoria

Tramitação (latest 2)

DateStatusTurnoTexto
2023-10-09 Indicação encaminhada ao Executivo Municipal Encaminhado ao Executivo Municipal, através do Ofício nº 416/GP/2023.
2023-10-02 Indicação lida em Plenário Matéria lida.

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PROTOCOLO
PLENÁRIO DE 
DELIBERAÇÕES
INDICAÇÃO Nº 039/2023
AUTOR: Vera. SANDY - PRESIDENTE
Despacho Nos termos do Título IV, Capítulo VII, Seção IV do 
Regimento Interno desta Casa de leis, encaminho
expediente ao Exmo. Senhor Carlos Amadeu Sirena
– Prefeito Municipal, indicando a CRIAÇÃO DO 
FUNDO MUNICIPAL DE POLÍTICAS PENAIS, 
nos termos do anteprojeto de lei encaminhado em 
anexo.
A presente indicação tem por objetivo subsidiar o Poder Executivo na criação de 
Projeto de Lei que Crie no município o Fundo de Políticas Penais. A criação de fundos 
municipais específicos para políticas penais, com a finalidade de viabilizar a execução de 
programas, ações, atividades e projetos voltados às alternativas penais, às pessoas egressas do 
sistema prisional, à desinstitucionalização de pessoas internadas em medida de segurança e aos 
conselhos da comunidade, visam à consolidação destas políticas em sua esfera administrativa. 
A Nota Técnica que institui Fundos Municipais para Políticas Penais visa também 
colaborar com a prestação jurisdicional no campo das alternativas penais, primando por maior 
efetividade das decisões judiciais e articulação dos Tribunais com as autoridades locais. 
A execução de políticas públicas pressupõe a necessidade de organizar a 
arrecadação e o dispêndio de recursos, os quais são colhidos mediante a cobrança de tributos, 
dentre outros meios. 
O ciclo envolve a arrecadação de receitas, a realização de despesas e a 
implementação de políticas públicas e é intermediado pelo orçamento público, o instrumento 
legislativo de controle e planejamento por meio do qual os entes federativos – União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios expressam suas escolhas político-institucionais e finalidades 
sociais. Tecnicamente são mecanismos de reservas pré-fixadas de receitas para aplicação 
conforme uma determinada previsão legal, isso é, são ferramentas de descentralização do 
orçamento das entidades públicas que visam deixar explícita na peça orçamentária a destinação 
específica de recursos para um determinado fim. 
A Constituição Federal de 1988 estabelece a criação de fundos, ressaltando que 
devem ser criados por meio de lei – “Art. 167, IX. 
Desse modo, os fundos especiais são regidos pelo Direito Financeiro e estão 
regulamentados legalmente por meio de previsão específica na Lei nº 4.320, de 1964: TÍTULO 
VII Dos Fundos Especiais Art. 71. Constitui fundo especial o produto de receitas especificadas 
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que por lei se vinculam à realização de determinados objetivos ou serviços, facultada a adoção 
de normas peculiares de aplicação. A lei que instituir fundo especial poderá determinar normas 
peculiares de controle, prestação e tomada de contas, sem, de qualquer modo, elidir a 
competência específica do Tribunal de Contas ou órgão equivalente. 
Como indica a lei federal, os fundos são unidades de natureza contábil, ou 
unidades orçamentárias destinadas à realização de determinados objetivos ou serviços 
caracterizados por manter contabilidade destacada do ente público ao qual está vinculado. 
O Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) foi instituído em 1994 pela Lei 
Complementar n° 79 “com a finalidade de proporcionar recursos e meios para financiar e apoiar 
as atividades e os programas de modernização e aprimoramento do sistema penitenciário 
nacional” (art. 1º). O Funpen foi regulamentado pelo Decreto executivo nº 1.093, de 23 de março 
de 1994 e constituído dentro da estrutura do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Este 
Fundo federal é aprovisionado com recursos que possuem origem em diversas fontes, dentre as 
quais: (I) arrecadação dos concursos de prognósticos (loterias federais); (II) custas judiciais 
recolhidas em favor da União; (III) recursos ordinários (provenientes do orçamento da União); 
(IV) recursos confiscados ou provenientes da alienação dos bens perdidos em favor da União; 
(V) multas decorrentes de sentenças penais condenatórias com trânsito em julgado, fianças 
quebradas ou perdidas; e (VI) rendimentos decorrentes da aplicação de seu patrimônio. 
Destas fontes de recursos, as mais significativas são os concursos de prognósticos 
(loterias federais) e custas judiciais. O montante financeiro deste Fundo vinha sendo, desde sua 
criação, seguidamente contingenciado e, consequentemente, pouco aplicado nas finalidades 
previstas na legislação. A prática recorrente de contingenciamento do Funpen provocou um 
acúmulo de grande volume financeiro neste fundo o que foi regularizado em 2015, pelo Supremo 
Tribunal Federal (STF) ao julgar a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 
nº 347 determinou o descontingenciamento das verbas do Fundo. Então, em 2016, iniciou-se o 
processo de descontingenciamento com o repasse de recursos aos fundos penitenciários estaduais 
e do Distrito Federal, aprovisionando-lhes com verbas que somaram aproximadamente R$ 1,1 
bilhão naquele ano. Nos anos subsequentes houve novos repasses, porém em montantes menores. 
Posteriormente, a Lei Complementar de criação do Funpen foi alterada por duas Medidas 
Provisórias, a saber, a Lei nº 13.500/2017 e a Lei nº 13.756/2018. Dentre as mudanças 
legislativas introduzidas em 2017, foi estabelecida uma inovação considerável: a previsão de 
repasse do Funpen a fundos de Municípios. Assim, a redação atual da Lei Complementar n° 
79 prevê no art. 3º-A, § 2º, que as verbas deverão ser aplicadas pelos Municípios na 
implementação de programas destinados à reinserção social de presos, internados e egressos, 
assim como programas de alternativas penais. 
Destarte, com o objetivo de difundir a criação de fundos municipais específicos 
para recebimento das verbas do Funpen e outras fontes de recursos para políticas penais, com a 
finalidade de viabilizar a execução de programas, ações, atividades e projetos, visando à 
consolidação destas políticas em sua esfera administrativa, os Programas de Transferência de 
Renda se constituem em uma espécie de programa social, cujo objeto é a concessão de auxílio 
financeiro sob determinadas condicionalidades, visando atender cidadãos não incluídos no 
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sistema contributivo de proteção social, que apresentem vulnerabilidades decorrentes do ciclo 
de vida e/ou incapacidade para a vida independente e para o trabalho. 
Desta feita, a presente pretensão tem cunho nitidamente social, visando uma 
reintegração e nova chance às pessoas egressas do sistema prisional bem como possibilitar a 
reinserção destes no mercado de trabalho, como mais uma ação humanizada da atual gestão 
municipal. Sob esses argumentos e por tratar de um projeto de iniciativa do Executivo Municipal, 
não sendo de competência do Legislativo, é que encaminho a presente indicação com 
Anteprojeto em anexo.
Gabinete da Presidência da Câmara Municipal de Juara,
Plenário Daury Riva, em Juara - MT, 28 de setembro de 2023.
Vera. Sandy de Paula Alves Mainardes
(Sandy)
Presidente
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Anteprojeto de Lei
LEI Nº DE DE DE 2023.
CRIA O FUNDO MUNICIPAL DE 
POLÍTICAS PENAIS E DÁ OUTRAS 
PROVIDÊNCIAS.
O PREFEITO MUNICIPAL DE JUARA - MT: Faço saber que a Câmara 
Municipal aprovou e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Fica instituído o Fundo Municipal para Políticas Penais, vinculado a 
Secretaria Municipal de Assistência Social e Trabalho, com o objetivo de financiar políticas de 
alternativas penais, de reintegração social de pessoas presas, internadas e egressas e de controle 
e participação social no sistema de justiça criminal. 
Art. 2º Constituem recursos do Fundo Municipal para Políticas Penais: 
I - dotações orçamentárias ordinárias do Município; 
II - repasses realizados pelo Fundo Penitenciário Nacional – Funpen, nos termos 
do art. 3º - A, § 2º da Lei Complementar nº 79/1994; 
III - recursos resultantes de convênios, acordos e instrumentos congêneres com 
entidades públicas federais, estaduais, municipais e estrangeiras; 
IV - recursos resultantes de doações, contribuições em dinheiro, valores, bens 
móveis e imóveis, ou quaisquer outras transferências que o Fundo Municipal venha a receber de 
pessoas físicas e jurídicas de direito público ou privado, nacionais ou estrangeiras; 
V - rendimentos de qualquer natureza, que o Fundo Municipal venha a auferir 
como remuneração decorrente de aplicações do seu patrimônio; 
VI - outras receitas, definidas na regulamentação do Fundo Municipal. 
Art. 3º Os recursos do Fundo Municipal poderão ser aplicados em: 
I - políticas de alternativas penais; 
II - políticas de reinserção social de pessoas presas; 
III - políticas de desinstitucionalização de pessoas internadas em cumprimento de 
medida de segurança, visando sua reinserção social; 
IV - políticas de atenção às pessoas egressas do sistema prisional;
V - políticas de controle e participação social do sistema de justiça criminal, 
notadamente os conselhos da comunidade e órgãos de prevenção e combate à tortura. 
§ 1º Os recursos vinculados aos programas referidos no inciso I se destinarão ao 
financiamento da estruturação e manutenção de serviços de acompanhamento de alternativas 
penais com enfoque restaurativo, a fim de constituir fluxos e metodologias para atendimento 
inicial junto à audiência de custódia, aplicação e execução das medidas, assim como de contribuir 
para sua efetividade e possibilitar a inclusão social dos cumpridores, a partir das especificidades 
de cada caso, considerando o disposto na Resolução CNJ nº 288/2019, em especial. 
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§ 2º Os recursos vinculados aos programas referidos no inciso II se destinarão a 
ações e projetos que fomentem a integração social de pessoas presas, promovendo a igualdade 
racial e de gênero, contemplando formação laboral, cursos profissionalizantes e a educação 
formal, entre outros, sendo vedada a utilização dos recursos para a construção, reforma, 
ampliação ou manutenção da unidade prisional, aquisição de instrumentos de uso da força, como 
armamentos letais, menos letais e algemas, ou quaisquer outros equipamentos e materiais 
destinados aos órgãos previstos no art. 9º da Lei nº 13.675/2018. 
§ 3º Os recursos vinculados aos programas referidos no inciso III se destinarão ao 
financiamento, a implantação, manutenção e qualificação de equipes multidisciplinares que 
atuem na desinstitucionalização de pessoas internadas, submetidas à medida de segurança, 
visando o cuidado comunitário contínuo e qualificado por meio de ações de atenção, tratamento, 
reabilitação e reinserção social, vedada a utilização dos recursos para a construção, reforma, 
ampliação ou manutenção de hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico, hospitais 
psiquiátricos, clínicas, centros de tratamento, comunidades terapêuticas ou entidades correlatas.
§ 4º Os recursos vinculados aos programas referidos no inciso IV se destinarão a 
fomentar a implantação, manutenção e qualificação do Escritório Social, nos termos 
estabelecidos pela Resolução CNJ nº 307/2019. 
§ 5º Os recursos vinculados aos programas referidos no inciso V se destinarão a 
fomentar o controle e a participação social por meio do Conselho da Comunidade para atividades 
de inspeção prisional e fomento da garantia de direitos de pessoas privadas de liberdade, egressas 
e cumpridores de medidas alternativas, assim como de órgãos de prevenção e combate à tortura. 
§ 6º Os recursos oriundos do FUNPEN serão destinados exclusivamente ao 
financiamento de programas previstos nos incisos I, II, III, IV do caput, nos termos do art. 3º-A, 
§ 2º da Lei Complementar nº 79/1994. 
Art. 4º Os recursos do Fundo Municipal poderão ser executados diretamente pelo 
Município ou repassados mediante convênio. 
§ 1º As entidades que sejam destinatárias dos recursos do Fundo Municipal 
deverão prestar contas de sua utilização, fornecendo subsídios que permitam ao Poder Executivo 
avaliar o andamento e conclusão do programa ou projeto desenvolvido.
§ 2º A prestação de contas terá o objetivo de avaliar o cumprimento do objeto a 
partir de verificação do cumprimento das metas pactuadas. 
§ 3º O relatório de execução do objeto deverá conter as descrições das atividades 
desenvolvidas na consecução do projeto, com comparativos das metas propostas e dos resultados 
alcançados. 
§ 4º Quando a entidade destinatária dos recursos não comprovar o alcance das 
metas ou quando houver evidência de existência de ato irregular, o Poder Executivo exigirá a 
apresentação de relatório de execução financeira, com as devidas descrições das despesas e 
receitas, envolvendo a comprovação das relações entre as movimentações dos recursos e os 
pagamentos das despesas realizadas, assim como a demonstração da coerência entre as receitas 
previstas e as despesas geradas. 
§ 5º Os recursos do Fundo Municipal poderão ser destinados a despesas tanto de 
investimento como de custeio. 
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Art. 5º O Conselho Gestor do Fundo Municipal será composto por: 
I - Prefeito, podendo indicar 01 (um) representante da Secretaria de Assistência 
Social e Trabalho ou de Administração ou da Procuradoria Geral do Município; 
II - 1 (um) representante de gestão de políticas municipais relacionadas aos 
programas desenvolvidos com recursos do Fundo Municipal, tais como Secretaria de Educação 
ou Conselho Gestor entre outros relacionados a ações sociais; 
III - 1 (um) representante da Secretaria de Saúde; 
IV - 1 (um) representante da Câmara de Vereadores; 
V - 1 (um) representante da Defensoria Pública; 
VI - 2 (dois) representantes de organizações da sociedade civil, tais como 
entidades de pessoas egressas, familiares de pessoas presas e egressas, de promoção da igualdade 
racial, defesa dos direitos das mulheres, organizações de direitos humanos, movimentos sociais, 
conselhos profissionais, entidades representativas de trabalhadores, de estudantes, ou de 
empresários e outras cuja atuação esteja relacionada à temática; 
VII - 1 (um) representante local do Conselho de Direitos Humanos;
VIII - 1 (um) representante de instituições de ensino e pesquisa, dentre 
professores e profissionais da área de Saúde, Ciências Sociais e Humanas, Gestão de Políticas 
Públicas, Direito Penal, Criminologia e outras ciências correlatas ou especialista com notório 
saber na temática de políticas penais e direitos humanos; 
IX - 2 (dois) representante do Conselho da Comunidade. 
Parágrafo único. O Conselho Gestor, de caráter deliberativo, é o órgão 
responsável pela gestão do Fundo Municipal, cabendo-lhe, dentre outras atribuições a serem 
previstas em regulamento: 
I - estabelecer linhas de políticas prioritárias no Município, deliberar sobre editais 
de chamamento público, critérios de análise de projetos e sistemas de controle, acompanhamento 
e avaliação das aplicações efetuadas e da correta aplicação realizada à conta dos recursos do 
Fundo Municipal para políticas penais; 
II - elaborar relatório anual de gestão, incluindo, quando houver estabelecimento 
prisional no município, dados sobre a quantidade de presos, com classificação por sexo, etnia, 
faixa etária, escolaridade, atividade de trabalho, regime e duração da prisão entre outros que 
forem definidos em regulamentos federais e estaduais vinculados à administração penitenciária, 
com a anonimização de dados que venham a ser de acesso público, observada a legislação de 
proteção de dados pessoais; 
III - elaborar e aprovar seu regimento interno.
Art. 6º O Poder Executivo regulamentará esta lei por Decreto Municipal.
Art. 7º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Carlos Amadeu Sirena
Prefeito Municipal

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